Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 10h55m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

China eleva o tom sobre tarifas de Trump, vê 'lei da selva' e mobiliza 'lobo guerreiro'

FolhaPress 06/02/2025 12:00

PEQUIM, CHINA (FOLHAPRESS) - A China não anunciou novas ações de retaliação nesta quinta-feira (6), mas os porta-vozes dos principais ministérios aceleraram a escalada retórica com o governo de Donald Trump.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em entrevista coletiva, He Yongqian, do Ministério do Comércio, afirmou que as tarifas adicionais de 10% sobre todos os produtos chineses são "perversas" e que, "diante de atos unilaterais de bullying, [Pequim] vai tomar as medidas necessárias".

No Ministério do Exterior, Lin Jian já havia dito que Pequim "deplora" as novas tarifas, justificadas "com o pretexto do fentanil", e que "pressionar ou ameaçar a China não vai levar a nada". Sobre a droga, "é um problema para os EUA, sua causa raiz está no próprio país", não no exterior, e "reduzir a demanda interna por drogas é a solução fundamental".

Nesta quinta, falando sobre a ideia de Trump de "limpar" a Faixa de Gaza e torná-la uma "Riviera" imobiliária, Guo Jiakun, outro porta-voz, descreveu os movimentos americanos como "uma lei da selva" ou "do mais forte".

SESC PICASSO

Outro sinal da escalada foi a confirmação, por Guo, de que o ex-embaixador na França, Lu Shaye, foi escolhido como representante especial de Pequim para Assuntos Europeus. É quem vai lidar a partir de agora "com países europeus e instituições da União Europeia", que conhece como enviado "experiente", buscando "promover diálogo e cooperação".

A nomeação havia sido noticiada no dia anterior por Zichen Wang, jornalista e pesquisa do Centro para China e Globalização, de Pequim, e vinha ecoando em mídia social.

Lu, que deixou Paris há apenas dois meses, se celebrizou pela agressividade verbal, que o levou a ser descrito como "lobo guerreiro". Derivado do título de um filme de ação chinês, a expressão designou nos últimos anos os funcionários chineses mais propensos ao embate público.

CONTADOR - BONUS

No episódio mais lembrado, Lu afirmou há dois anos num programa francês de televisão que "pela lei internacional esses ex-países da União Soviética", em referência aos bálticos, "não têm o acordo internacional efetivo para materializar seu status como país soberano".

China e Lituânia, um dos países, passavam então por uma disputa em torno da aproximação que a segunda buscou com Taiwan, o que Pequim respondeu reduzindo laços comerciais. A disputa, que serviu para afastar a União Europeia da China, prossegue.

Compartilhe esta notícia
Anuncio - Raimundo - Bonus

Notícias Relacionadas