Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 09h47m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

China e Brasil põem panos quentes em conflito sobre tarifas contra aço e carro elétrico

FolhaPress 02/07/2024 10:58

PEQUIM, CHINA (FOLHAPRESS) - Questionado sobre as ações do governo brasileiro contra produtos da China, o regime em Pequim minimizou as divergências e não respondeu se as tarifas poderão resultar, na direção contrária, em diminuição das compras chinesas no Brasil.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"A China e o Brasil apoiam firmemente o comércio livre e se opõem ao protecionismo", disse a porta-voz Mao Ning, do ministério do exterior. "E estão ativamente comprometidos com o crescimento sólido e constante do comércio bilateral. Tanto a China quanto o Brasil se beneficiam dos laços comerciais. Acreditamos que nossos dois lados podem lidar bem com as questões."

Na segunda-feira (1º), entrou em vigor no Brasil o aumento do imposto de importação sobre carros elétricos, de 10% para 18%. No ano que vem, ele vai para 25%. Em abril, já havia entrado em vigor o aumento de imposto sobre o aço, também de cerca de 10% para 25%. Nos dois casos, assim como na recente "taxa das blusinhas", não se identifica o alvo, mas é a China.

SESC PICASSO

Uma autoridade brasileira argumenta que o país não pode abrir mão do uso de tarifas para calibrar sua exposição ao momento atual do comércio exterior. Com Estados Unidos e União Europeia buscando barrar produtos chineses como carros elétricos e aço, estes são desviados para os países onde mantêm acesso, diz a fonte, que solicitou anonimato para abordar o conflito com liberdade.

Outros mercados emergentes de maior porte também estariam se preparando para ampliar as tarifas sobre produtos chineses, casos de Índia e Indonésia, respectivamente, sobre aço e têxteis.

CONTADOR - BONUS

Segundo o argumento brasileiro, sua taxação, em comparação com a americana e a europeia, não seria discriminatória e permitiria manter o mercado exposto à concorrência chinesa, ao mesmo tempo em que evita inviabilizar a indústria local. Nos três casos, aço, carros elétricos e "blusinhas", as medidas foram anunciadas após lobby de concorrentes já instalados no país.

As ações brasileiras também começam a ser usadas como argumento pelos negociadores europeus, para defender as suas próprias barreiras. Há duas semanas, em viagem a Pequim, o ministro da Economia da Alemanha, Robert Habeck, disse que o Brasil usa "tarifas punitivas", enquanto a UE "faz as coisas de forma diferente", buscando igualdade de condições.

Anuncio - Raimundo - Bonus

As tarifas europeias começam provisoriamente nesta quinta (3) com uma elevação média do imposto sobre carros elétricos chineses para cerca de 30%. Pequim aceitou a proposta da UE de iniciar negociação, que deve ir até dezembro, quando entram em vigor os percentuais definitivos.

O movimento contra carros elétricos e outros produtos chineses de transição energética, como painéis solares, se acentuou nos últimos meses com as acusações do governo americano de excesso de produção na China, ameaçando o incentivo à produção nos EUA. Pequim acusa Washington de protecionismo, com impacto no combate à mudança do clima.

"Não podemos abrandar o nosso ritmo na transição em troca de crescimento de curto prazo, nem praticar protecionismo em nome da proteção do ambiente", disse Mao Ning, a porta-voz chinesa. "Precisamos abordar as questões de desenvolvimento com uma visão mais longa e dar as mãos para cultivar novos motores para o crescimento."

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas