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Economia

CGU condena 36 empresas e investiga outras 14 por espionagem industrial

FolhaPress 15/01/2025 13:19

BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A CGU (Controladoria-Geral da União) condenou 36 empresas pela compra de dados sigilosos detidos pela Receita Federal e MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Somadas, as multas chegam a R$ 46 milhões.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Outras 14 companhias ainda estão com processos abertos e há negociação de acordo de leniência com uma delas.

Do total de empresas punidas, 29 fizeram um acordo com a CGU admitindo culpa. Com isso tiveram uma redução no valor pago. Outras sete foram julgadas e condenadas pelo órgão de controle.

"Queremos que as empresas entendam que precisam implementar procedimentos mínimos de diligência ao contratar serviços. Não é aceitável que uma empresa adquira informações sabidamente sigilosas sem assumir que sua origem provém de maneira ilícita", disse à reportagem o secretário de Integridade Privada da CGU, Marcelo Pontes Vianna.

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Vianna destacou a quantidade de acordos com admissões de culpa e compromisso de não repetição da conduta celebrados pelo órgão, que são preferíveis a julgamentos, na sua avaliação. Em caso de acordos, as multas são menores.

Os julgamentos têm origem na Operação Spy, da PF (Polícia Federal), Receita Federal e Ministério Público Federal.

A operação descobriu que dois servidores da Receita Federal e um do MDIC forneciam dados sigilosos para uma empresa, que revendia as informações em relatórios para o setor privado. Os servidores envolvidos foram demitidos pelos respectivos órgãos.

A maior cobrança é da Impeda Rolamentos Importação e Comercio, que pagou R$ 16,9 milhões. A segunda é da Metachem Industrial e Comercial, com multa de R$ 2,8 milhões, e em seguida vem a Portobello, com R$ 2 milhões. As multas para cada empresa variam de valor, com a menor sendo de R$ 23,8 mil.

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Procuradas desde a tarde desta terça (14) por telefone e email, a Impeda e a Metachem não responderam até a publicação deste texto.

Segundo apurou a Folha, o processo da Portobello foi encerrado em novembro de 2023. Indiciada no final de 2022, a companhia procurou a CGU para realizar um julgamento antecipado e conseguir um acordo menos oneroso.

A investigação apontou que, em 2015, um então funcionário da Portobello comprou um relatório com informações sigilosas por R$ 3.000. Às autoridades, a companhia mostrou que o relatório era inócuo e que não gerou vantagens contra seus concorrentes. Teria sido um caso isolado, em que somente um relatório foi, de fato, comprado ilegalmente.

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Essa situação na qual um funcionário adquiria os dados sem o conhecimento de superiores se repetiu em diversas empresas investigadas e foi levada em conta no cálculo da multa.

Para chegar ao valor a ser pago, o principal fator foi o faturamento da companhia, já que a multa é um percentual desse valor. Além disso, a CGU levou em conta a quantidade de informação adquirida, se era um comportamento recorrente ou não e se um acordo foi feito.

Na lista de investigadas estão também a Braskem e a Louis Dreyfus, conforme revelado pelo jornal O Estado de S.Paulo e confirmado pela Folha. A Braskem afirmou que "tomou conhecimento acerca da Operação Spy e contribuiu ativamente com as investigações, cumprindo seu compromisso de colaboração e transparência".

A Louis Dreyfus também foi procurada desde a tarde desta terça por telefone e email, mas não respondeu até a publicação deste texto.

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