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Economia

Cacau Show vai investir R$ 1 bi para ficar autossuficiente em cacau

FolhaPress 05/06/2024 15:10

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A alta acentuada dos preços do cacau fez a Cacau Show acelerar seu plano de aumentar sua área plantada para se tornar autossuficiente na principal matéria-prima dos chocolates. Atualmente a fazenda Dedo de Deus, em Linhares (ES), atende cerca de 3% da demanda da companhia brasileira pelo produto.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Para os próximo dez anos, Alexandre Costa, CEO da Cacau Show, prevê o investimento de R$ 1 bilhão para chegar a 7.000 hectares de cacau. A expansão da produção vai ao encontro do plano de crescimento da área plantada de cacau no Brasil incentivada pelo governo e pela indústria.

Em 2024, a empresa projeta produzir 33 mil toneladas de chocolate.

No momento, a companhia está prospectando áreas no Espírito Santo, na Bahia e no Pará (esses dois últimos, os maiores produtores no Brasil) e quer encontrar um sócio no agronegócio para investir no segmento.

Segundo Costa, uma das possibilidades à mesa é a associação com algum grupo grande que ajude a viabilizar a expansão da produção. A primeira colheita do cacau ocorre de três a quatro anos a partir do plantio.

Na fazenda Dedo de Deus, onde a primeira colheita foi há três anos, estão plantados 53 mil pés de cacau em 50 hectares. A propriedade tem ainda uma espécie de viveiro-laboratório, um jardim clonal, onde são testadas e cultivadas as melhores variações da planta.

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Esse é um dos fatores para a alta produtividade na Dedo de Deus, de cerca de 2.500 quilos por hectare de área plantada. Algumas áreas chegam a bater a marca de 3.000 quilos. O outro é o uso de tecnologia e de um outro modelo de plantio.

A produção da Cacau Show é feita sob a incidência solar e com os pés plantados com distância suficiente para que caminhões passem entre eles, em contraste ao tradicional sistema cabruca, que usa a sombra das áreas nativas da mata atlântica e onde há baixa mecanização do trabalho.

Por ser produtor de cacau e ter indústria de chocolate, o Brasil tem as três principais moageiras em seu território –Cargill, Barry Callebout e Olam. Cerca de 75% a 80% do que elas processam vêm da produção nacional.

O resto é importado –e a referência de preços de amêndoas nacionais ou importadas é a bolsa de commodities de Nova York.

O pico foi registrado em abril deste ano, de US$ 11,311 mil por tonelada de amêndoa, mas os preços vêm em alta desde o início de 2023. A partir de 2024, porém, o ritmo de alta se intensificou.

Na avaliação do dono da Cacau Show, o mercado internacional de cacau está muito "emocional". Antes do ciclo de alta, os preços pagos aos produtores também estavam muito baixos.

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Os maiores produtores mundiais da amêndoa estão na Costa do Marfim e em Gana. O plantio e a colheita na África Ocidental está afetado por novas doenças e mau tempo, encolhendo os estoques.

Para os próximos meses, Alexandre Costa diz que o consumidor de chocolate no Brasil deve começar a sentir o efeito do descontrole do mercado. "Vai ter um nível de reajuste. Temos uma empresa que cresce muito e uma situação em que o preço chegou a triplicar", diz Costa.

O dono da Cacau Show lembra que as indústrias trabalham com contratos futuros de três a seis meses. Esse "estoque de proteção" com preços mais baixos está chegando ao fim.

NOVO PLAYLAND 'CHOCOLATUDO' SERÁ EM SANTO ANDRÉ

A produção de chocolate é o principal braço de negócios da Cacau Show, mas não é o único.

O mais recente foi a aquisição do Grupo Playcenter, complexo de entretenimento e parque de diversões. A compra foi aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) em meados de abril e, com isso, diz o CEO da Cacau Show, "eu já posso ir lá".

O Playcenter deu nome ao tradicional parque de diversões na marginal Tietê, fechado em 2012. Atualmente, o grupo mantém duas operações de lazer indoor, principalmente em shoppings. Além das Playland, o Playcenter Family.

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A primeira unidade já sob o comando do novo dono será uma Playland no shopping Grandplaza, em São André (ABC paulista). O espaço está sendo reformado. "Vamos inaugurar essa nova loja, que já será muito mais chocolatada, e vamos começar a juntar entretenimento e chocolate", diz Costa.

Outra novidade no portfólio de negócios da Cacau Show é a abertura de um segundo resort, agora em Águas de Lindoia, no interior de São Paulo.

Também batizado de Bendito Cacao –mesmo nome da linha bean do bar –do grão à barra, como são conhecidos os produtos que têm todas as etapas internalizadas pela indústria–, ele pretende ser um "resort para família".

Onde um dia foi o hotel Vacance, o novo resort já está recebendo hóspedes e visitantes, mas ainda não foi oficialmente inaugurado.

O outro resort foi inaugurado em 2021, em Campo dos Jordão (a 181 km de São Paulo), na serra da Mantinqueria, na propriedade onde um dia funcionou o Blue Mountain. Lá, o cacau aparece no spa –a manteiga é usada em tratamentos como hidratante, e a casca, em esfoliações–, na decoração e em pratos doces e salgados.

RAIO-X

Fundação 1988, na Casa Verde, zona norte de São Paulo

Lojas cerca de 4.400; 3.981 franqueadas e 364 próprias

Funcionários 22 mil

Produção Capacidade para 33 mil toneladas ao ano

Faturamento R$ 5,3 bilhões em 2023

Principais concorrentes Kopenhagen, Lindt, Dengo e Brasil Cacau

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