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Economia

Brics deve promover nova ordem mundial, defende chanceler brasileiro Mauro Vieira

Vitória News 25/02/2025 13:28

Em meio a um cenário global repleto de crises e instabilidades geopolíticas, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou nesta terça-feira (25) a importância do bloco de potências emergentes na promoção de uma nova ordem mundial. Durante a abertura da primeira reunião de 2025 dos Sherpas do Brics – diplomatas responsáveis por conduzir as negociações de cada país membro – em Brasília, o chanceler brasileiro enfatizou que o momento exige a construção de um sistema internacional mais justo, inclusivo e sustentável.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Um novo paradigma multipolar

Mauro Vieira ressaltou que, diante dos desafios atuais, o Brics deve assumir um papel central na transformação do panorama global. Segundo o ministro, “num mundo em constante evolução, o Brics não só reflete as aspirações do Sul Global, mas também carrega a responsabilidade de redefinir os mecanismos de governança internacional”. Em suas declarações, ele enfatizou que a consolidação de um mundo multipolar – onde o poder não esteja concentrado em poucas nações – é uma realidade emergente e um objetivo compartilhado pelos países do bloco.

Além de defender a reforma das tradicionais instituições multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU e o FMI, Vieira destacou a necessidade de criar mecanismos financeiros alternativos e ampliar o uso de moedas locais nas transações internacionais. Esses pontos, segundo ele, são essenciais para ajustar o sistema econômico mundial às mudanças políticas e às demandas do século XXI.

Desafios do multilateralismo e a reforma da segurança global

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O ministro também apontou que o princípio do multilateralismo – a cooperação entre diversos países para alcançar objetivos comuns – enfrenta desafios significativos na conjuntura internacional atual. “As necessidades humanitárias crescem a passos largos, mas a resposta global ainda é fragmentada e, muitas vezes, insuficiente”, afirmou Mauro Vieira. Para o chanceler, a reformulação da arquitetura de segurança global é imperativa para que o mundo possa responder de forma eficaz a crises emergentes e às demandas de uma população cada vez mais vulnerável.

O Brics, que hoje representa quase metade da população mundial, acumula 39% do Produto Interno Bruto global e é responsável por cerca de 50% da produção de energia. Esses números reforçam a relevância do grupo na redefinição das políticas internacionais e na promoção de uma nova ordem mundial que contemple os interesses dos países em desenvolvimento.

Inteligência artificial e governança global

Um dos temas de destaque na reunião deste ano, sob a presidência brasileira do bloco, é a governança da inteligência artificial (IA). Mauro Vieira alertou para o risco de a IA ser usada para ampliar desigualdades, defendendo que “não pode ser ditada por um punhado de atores enquanto o resto do mundo é forçado a se adaptar a regras que não ajudou a formular”. O ministro reiterou a necessidade de uma abordagem multilateral que assegure o desenvolvimento ético, transparente e alinhado com o interesse coletivo da humanidade.

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A discussão sobre a IA, que vem ganhando cada vez mais espaço nas agendas globais, evidencia a preocupação do Brics com os impactos tecnológicos no equilíbrio econômico e social. A proposta é construir um arcabouço regulatório capaz de prevenir abusos e garantir que os benefícios da tecnologia sejam distribuídos de forma equitativa.

Comércio, mudanças climáticas e desafios ambientais

Outra pauta de grande relevância apontada pelo chanceler é o fortalecimento do comércio entre os países membros do Brics. A ideia é ampliar os fluxos comerciais e facilitar os instrumentos de pagamento utilizando moedas locais, o que pode reduzir a dependência de sistemas financeiros tradicionais e fortalecer as economias dos países em desenvolvimento.

Mauro Vieira também criticou a escassez de financiamento para as políticas de adaptação e mitigação das mudanças climáticas no Sul Global. “A justiça climática precisa estar no centro das discussões internacionais, garantindo que as nações em desenvolvimento tenham os recursos e a autonomia necessários para realizar a transição para economias de baixo carbono sem comprometer seus planos de crescimento”, afirmou o ministro. Essa abordagem visa incentivar investimentos em tecnologias verdes e promover a sustentabilidade ambiental como pilar do desenvolvimento global.

Presidência brasileira e as seis prioridades do Brics

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Assumindo a presidência do Brics em um período de expansão – o grupo passou de cinco para 11 membros, com a inclusão da Indonésia como membro permanente e outros nove parceiros – o governo brasileiro traçou uma agenda ambiciosa e estratégica para o bloco. Entre as principais prioridades, estão:

  • Cooperação global em saúde
  • Comércio, investimento e finanças
  • Combate às mudanças climáticas
  • Governança de inteligência artificial
  • Reforma do sistema multilateral de paz e segurança
  • Desenvolvimento institucional do Brics

Cada uma dessas pautas reflete o compromisso dos países membros em buscar soluções inovadoras para desafios históricos e atuais, estabelecendo uma nova ordem mundial que priorize a equidade, o diálogo e a cooperação entre nações.

A abertura da reunião em Brasília marca um momento decisivo para o Brics, que se posiciona como protagonista na redefinição das relações internacionais em um contexto global de transformações rápidas e desafios complexos. As declarações de Mauro Vieira reforçam a convicção de que, para enfrentar as crises humanitárias, econômicas e ambientais, é necessário romper com modelos ultrapassados e construir uma governança global mais democrática e inclusiva. Com uma agenda que abrange desde a inteligência artificial até o comércio e o clima, o bloco promete atuar de forma integrada, representando os interesses do Sul Global e contribuindo para o surgimento de um novo paradigma geopolítico.

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