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Brics deve criticar ações unilaterais no comércio e defender OMC diante de tarifas de Trump

FolhaPress 26/04/2025 13:41

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O Brics deve criticar medidas unilaterais no comércio internacional e fazer uma defesa da OMC (Organização Mundial do Comércio), num recado contra os tarifaços impostos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Ministros das relações exteriores do bloco formado por Brasil, Arábia Saudita, África do Sul China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Índia, Indonésia, Irã e Rússia se reúnem entre segunda-feira (28) e terça (29) no Rio de Janeiro, num encontro que ocorre em meio à guerra comercial desencadeada do republicano. Maior economia do Brics, a China foi atingida por tarifas de até 145% e é o principal alvo das medidas de Trump.

O embaixador Mauricio Lyrio, negociador-chefe do Brasil no Brics, disse neste sábado (26) que o documento conjunto que está sendo negociado para o encontro de chanceleres visa reforçar o compromisso com o multilateralismo no comércio.

SESC PICASSO

"Os ministros estão negociando uma declaração com vistas a reafirmar a centralidade, a importância do sistema multilateral de comércio, das negociações comerciais multilaterais como eixo principal de atuação na área do comércio. Portanto, [os ministros] deverão reafirmar, como sempre fizeram em outras declarações, a a sua crítica a medidas unilaterais de que origem sejam", disse Lyrio.

"É uma posição dos países do Brics já de longa data: a rejeição a medidas unilaterais".

Além de negociador-chefe no Brics, Lyrio é o encarregado no Itamaraty de conduzir as negociações técnicas com o governo Trump sobre as tarifas americanas que atingiram o Brasil. Além de um imposto de 10% sobre seus produtos, o país é especialmente afetado por uma sobretaxa de 25% sobre suas vendas de aço aos EUA.

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Reforçar a defesa do multilateralismo no comércio é uma sinalização dos países do Brics contra a ação de Trump, que com seu tarifaço obrigou diversas nações a abrirem negociações individuais com os americanos.

O Brasil defende que disputas comerciais sejam resolvidas no âmbito da OMC, mas o órgão está paralisado por ação dos EUA. Ainda no primeiro governo Trump, os americanos passaram a bloquear a indicação de novos juízes para o órgão de apelação da OMC, o que, na prática, impede o seu funcionamento.

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