O Brasil deverá colher, em 2025, uma safra recorde de 340,5 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume é 16,3% maior que o de 2024, um acréscimo de 47,7 milhões de toneladas. Na comparação com a estimativa de junho, houve avanço de 2,1% (mais 7,1 milhões de toneladas). A área a ser colhida está estimada em 81,2 milhões de hectares, alta de 2,7% sobre o ano anterior. Soja, milho e arroz concentram 92,7% de toda a produção nacional.
Panorama geral da produção
A soja deve alcançar 165,5 milhões de toneladas, impulsionada por ganhos de produtividade nas principais regiões produtoras. O milho tem produção total projetada de 137,6 milhões de toneladas — 26,2 milhões na primeira safra e 111,4 milhões na segunda —, enquanto o arroz em casca soma 12,5 milhões de toneladas. Juntos, soja (cerca de 48,6% do total), milho (aprox. 40,4%) e arroz (3,7%) explicam a maior parte da colheita prevista.
Destaques por cultura
Além dos três principais grãos, outros produtos também avançam. O algodão herbáceo em caroço deve render 9,5 milhões de toneladas. O sorgo em grão está estimado em 4,9 milhões de toneladas, e o feijão, em 3,1 milhões. Entre os cereais de inverno, o trigo deve alcançar 7,7 milhões de toneladas; a aveia branca, 1,3 milhão; e a cevada, 549,3 mil toneladas.
Desempenho por região
Veja a distribuição regional da produção estimada, com a variação em relação a 2024 e à projeção de junho:
| Região | Variação Anual (%) | Variação Mensal (%) | Participação na Produção Nacional (%) |
|---|---|---|---|
| Centro-Oeste | +21,4 | +3,3 | 51,5 |
| Sul | +9,0 | +0,7 | 25,1 |
| Sudeste | +16,9 | +1,9 | 8,9 |
| Nordeste | +9,0 | -0,1 | 8,2 |
| Norte | +17,3 | +1,9 | 6,3 |
Estados que lideram a safra
A concentração da produção permanece elevada em seis unidades da Federação, responsáveis por quase 80% do volume nacional:
| Estado | Participação na Produção Nacional (%) |
|---|---|
| Mato Grosso | 32,4 |
| Paraná | 13,4 |
| Goiás | 11,4 |
| Rio Grande do Sul | 9,5 |
| Mato Grosso do Sul | 7,5 |
| Minas Gerais | 5,6 |
| Total dos 6 estados | 79,8 |
Rentabilidade e custos de produção
Para o economista do Conselho Regional de Economia (Corecon) Guidi Nunes, embora os números indiquem uma safra histórica, é preciso avaliar a rentabilidade. “Você tem uma queda de preço da commodities, aumento de custo dos insumos agrícolas utilizados para essa produção. Então, tem uma rentabilidade da safra agrícola que está na faixa de 2,3%, quer dizer, menos de 3% ao ano, o que não é muito bom. Então, é um dado que tem que ser analisado, que aí, nesse volume de produção, os produtores vão ter que pensar alternativas ao longo do tempo, principalmente ao que chamamos de insumos biológicos na produção”. Ele também alerta que parte do crescimento decorre da expansão da área plantada, e não necessariamente de ganhos expressivos de produtividade por hectare.
O que observar nos próximos meses
Especialistas do setor apontam fatores que podem influenciar o resultado final: regularidade das chuvas nas janelas críticas de desenvolvimento das lavouras, custos de fertilizantes e defensivos, câmbio e demanda internacional por grãos e fibras. Também entram no radar a logística de escoamento, capacidade de armazenagem e a dinâmica de preços no mercado interno.
Metodologia e calendário
As estimativas consideradas são as mais recentes informadas pelo IBGE, com atualizações mensais ao longo do ano-safra. Os números podem variar conforme novas coletas de informação em campo e ajustes de produtividade e área.
Fonte: Br61