Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 10h27m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Brasil tenta fechar acordo entre Mercosul e bloco europeu antes de cúpula de Buenos Aires em julho

FolhaPress 24/06/2025 08:44

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Um impasse entre os governos da Suíça e do Brasil sobre o setor farmacêutico e discussões sobre regras de origem de mercadorias são os últimos obstáculos para a conclusão do tratado de livre comércio entre o Mercosul e o Efta (Associação Europeia de Livre Comércio)—bloco formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Segundo autoridades a par das negociações, as conversas estão bem adiantadas e quase todos os capítulos do tratado estão fechados.

A expectativa de negociadores de ambos os lados é anunciar o acordo na cúpula do Mercosul, prevista para ocorrer em Buenos Aires nos dias 2 e 3 de julho, quando o Brasil vai assumir a presidência temporária do bloco. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viajará para a Argentina pela primeira vez desde que Javier Milei tomou posse.

Grande produtora de fármacos, a Suíça pede que o governo Lula concorde com garantias adicionais sobre propriedade intelectual para proteger suas empresas do setor. O argumento é que um acordo com o Mercosul não pode ter brechas que sejam usadas pelo Brasil para obrigar que a produção de determinados medicamentos ocorra no país.

SESC PICASSO

Já o governo Lula teme que assinar esse tipo de compromisso abra um precedente que possa ser explorado por outros países em futuras negociações. Na avaliação do Brasil, o país já é signatário de um acordo internacional sobre propriedade intelectual, conhecido como TRIPS, o que dispensaria a necessidade de compromissos adicionais.

Negociadores esperam superar esse ponto em uma nova rodada de conversas nos próximos dias.

Além da propriedade intelectual, outra pendência que está no caminho para a conclusão das tratativas é a discussão relativa às regras de origem das mercadorias. A definição dos critérios utilizados para determinar o país de origem de um produto é crucial para a aplicação de tarifas, impostos e outras regulamentações comerciais.

O tema ganha complexidade devido à grande integração econômica dos países do Efta com os membros da União Europeia. Em uma discussão hipotética sobre a origem de um eletrodoméstico produzido na Suíça a partir de peças importadas da Alemanha, por exemplo, há dúvidas se esse produto poderia se beneficiar da redução tarifária prevista no acordo.

CONTADOR - BONUS

Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, também está em curso nas tratativas entre Efta e Mercosul o debate sobre comércio e desenvolvimento sustentável.

Ainda que seja menos badalado do que o tratado do Mercosul com a União Europeia, o acordo comercial com o Efta ganhou impulso nos últimos meses, na esteira de uma avaliação dos atores envolvidos de que era necessário diversificar laços comerciais.

Nesse sentido, o movimento político para que as rodadas de conversa fossem adiante ganhou ainda mais força com a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos.

Um entendimento inicial dos sul-americanos com Suíça, Noruega, Liechtenstein e Islândia foi alcançado em 2019. Na época, as estimativas do então Ministério da Economia indicavam que o acordo Mercosul-Efta representaria um incremento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de US$ 5,2 bilhões em 15 anos.

Anuncio - Raimundo - Bonus

A equipe econômica também previa um aumento de US$ 5,9 bilhões nas exportações brasileiras e de US$ 6,7 bilhões nas importações, totalizando uma elevação de US$ 12,6 bilhões na corrente comercial do Brasil.

Em um primeiro momento, as negociações com o Efta sofreram dos mesmos problemas das tratativas com a União Europeia.

Os países do bloco, em especial a Noruega, enxergavam na política ambiental do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) —marcada por desregulamentação e avanço do desmatamento— um obstáculo para a conclusão das conversas.

Na época, a então primeira-ministra da Noruega Erna Solberg chegou a declarar que o tratado chegava em "péssimo momento" em razão de uma onda de incêndios na Amazônia.

Com a retomada das tratativas após a vitória eleitoral de Lula, o Efta foi deixado num primeiro momento a reboque das negociações com a União Europeia.

No ano passado, o Efta mudou de estratégia e comunicou ao Mercosul que tinha interesse em prosseguir com o acordo de forma desvinculada das tratativas entre os sul-americanos e a UE.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas