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Brasil reforça que tarifas dos EUA são injustas antes de decisão de Trump

Governo mantém negociação com Washington para evitar sobretaxas que podem atingir milhares de produtos brasileiros

Vitória News 15/07/2026 07:47
Brasil reforça que tarifas dos EUA são injustas antes de decisão de Trump
Foto: Iano Andrade/CNI

O governo brasileiro voltou a classificar como injusta a possível imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. A posição foi apresentada durante uma reunião de alto nível realizada nesta terça-feira (14) com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O encontro ocorreu às vésperas do prazo previsto para que o governo do presidente Donald Trump anuncie sua decisão sobre as sobretaxas. Essa foi a quinta reunião entre autoridades brasileiras e norte-americanas desde 7 de maio, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump decidiram criar um grupo de trabalho para tratar das relações comerciais entre os dois países.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Brasil reiterou que as recomendações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos não têm fundamento técnico e não justificam a criação de novas barreiras comerciais.

As medidas discutidas incluem uma sobretaxa de 25% direcionada a produtos brasileiros e uma tarifa adicional de 12,5% associada a uma investigação sobre trabalho forçado, que também poderia alcançar outras 59 economias.

“O governo brasileiro reiterou que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos formular um acordo bilateral mutuamente adequado”, afirmou o ministério.

SESC PICASSO

Representantes do Ministério das Relações Exteriores e da Assessoria Especial da Presidência da República também participaram da reunião. A orientação do presidente Lula é manter o diálogo com Washington e buscar uma solução negociada.

As possíveis tarifas estão relacionadas a uma investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O governo dos EUA questiona práticas brasileiras em áreas como comércio digital, sistemas de pagamento, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal.

O Brasil sustenta que as alegações não justificam a adoção das sobretaxas.

CONTADOR - BONUS

A expectativa é que a decisão norte-americana seja divulgada nesta quarta-feira (15), junto com a relação definitiva dos produtos que poderão ser atingidos. Entre os setores mencionados nas recomendações preliminares estão o aeronáutico, o agropecuário e o industrial.

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria indica que aproximadamente 4,2 mil produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos podem ser afetados. As vendas desses itens somam cerca de US$ 15 bilhões.

Ferro-gusa, molduras de madeira e álcool etílico estão entre os produtos que podem sofrer impacto. Enquanto aguarda a decisão, o governo brasileiro mantém as negociações diplomáticas e afirma que continuará buscando uma solução por meio do diálogo.

Fonte: Agência Brasil

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