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Brasil pode ampliar mercados com tarifaço de Trump, mas precisa diversificar exportações

Vitória News 03/04/2025 09:19

A sobretaxação de 10% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode representar uma oportunidade estratégica para o Brasil, caso o país saiba negociar com outros parceiros comerciais e diversificar suas exportações. A avaliação é do economista e professor da Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Adalmir Marquetti.

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Marquetti destacou que, para reduzir os impactos da tarifa americana, o Brasil precisa avançar rapidamente nas negociações de acordos comerciais com outras nações, como o Mercosul e a União Europeia (UE).

“O processo de negociação é um ponto importante a ser levado. Tem que tentar uma retaliação em alguns produtos, mas também tem que haver uma negociação com outros países. Acho a viagem do presidente Lula para o Japão e para o Vietnã importante no sentido de buscar novos parceiros comerciais, de intensificar nossas relações com esses países que estão crescendo, estão se tornando importantes na economia mundial”, afirmou o economista.

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Para ele, a aprovação do acordo entre Mercosul e UE é fundamental não apenas para a balança comercial do Brasil, mas também para melhorar a balança de serviços, que atualmente apresenta um déficit significativo. O Brasil importa muito mais serviços do que exporta, o que consome aproximadamente 40% do superávit comercial.

“Certamente, [a sobretaxação de Trump] abre um espaço de negociação e de busca de novos parceiros comerciais. Inclusive o acordo do Mercosul com a União Europeia, esse é o momento de implementar. Esse acordo, de buscar as novas parcerias do Brasil que envolvem tanto a balança de bens e de serviços. Temos uma balança comercial bastante positiva, mas a nossa balança de serviços, no caso brasileiro, é negativa”, explicou Marquetti.

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Oportunidades além das tarifas
Embora a decisão de Trump afete principalmente as importações de bens, o Brasil ainda tem um grande potencial para fortalecer suas exportações de serviços, um setor em que o país tem muito a ganhar. Os Estados Unidos são líderes globais na exportação de serviços, como tecnologia e produtos audiovisuais. O Brasil, no entanto, tem um mercado potencial a ser explorado, especialmente nas áreas de serviços financeiros, educação e tecnologia.

Outro ponto destacado por Marquetti é a possibilidade de o Brasil ocupar uma posição mais estratégica no mercado mundial, especialmente à medida que outros países reagem às tarifas impostas pelos Estados Unidos. O país já percebe um aumento nas exportações para a China, que tem comprado mais produtos agrícolas brasileiros. Porém, o economista ressalta a importância de expandir a pauta de exportações para incluir produtos industriais e de maior valor agregado, a fim de garantir uma posição sólida no mercado global.

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“O Brasil tem um espaço para ocupar o mercado mundial, inclusive o espaço que os outros países, ao responderem aos Estados Unidos, deixarem de comprar. No caso da China, os chineses já estão comprando mais produtos agrícolas brasileiros. E aqui tem um ponto importante: como a gente pode aproveitar essa crise mundial, com origem nas tarifas nos Estados Unidos, para melhorar a nossa pauta de exportação? Para a gente, exportar também mais produtos industriais e com maior valor adicionado na economia nacional”, concluiu o professor.

Próximos passos para o Brasil
Para que o Brasil aproveite as oportunidades geradas pela sobretaxação dos EUA, será necessário agir rapidamente em diversas frentes. Além de buscar novos parceiros comerciais, o país precisará diversificar suas exportações, fortalecer a indústria nacional e explorar setores de serviços de alto valor agregado. A negociação com a União Europeia e a intensificação das relações com países como Japão e Vietnã são passos essenciais para garantir o sucesso nesse cenário global competitivo.

Fonte: ABr/TV Brasil
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