Ministro afirma que eventual resposta às tarifas de 25% não deve ser tratada como retaliação e descarta incluir o Pix nas negociações
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (17), em São Paulo, que o Brasil continuará negociando com os Estados Unidos após a imposição de tarifas adicionais de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.
Ao mesmo tempo, o governo avalia a adoção de medidas previstas na Lei de Reciprocidade Econômica. Segundo Durigan, o mecanismo deverá ser analisado com cautela para evitar impactos negativos sobre empresas, trabalhadores e consumidores brasileiros.
“Não cabe falar em retaliação. Essa é uma palavra que está fora do nosso escopo”, afirmou o ministro. Ele explicou que a legislação aprovada pelo Congresso estabelece um procedimento para proteger os interesses nacionais diante de ações unilaterais de outros países.
Durigan disse que o governo está ouvindo representantes do setor produtivo e avaliando os possíveis efeitos da medida norte-americana antes de apresentar uma proposta ao presidente da República.
De acordo com o ministro, a reciprocidade deverá ser utilizada apenas na proporção e no momento considerados adequados. Ele sustentou que o objetivo é buscar equilíbrio nas relações comerciais, e não ampliar o conflito com os Estados Unidos.
Apesar da possibilidade de contramedidas, Durigan afirmou que o diálogo continuará. O ministro classificou a tarifa de 25% como injusta e disse que os argumentos econômicos apresentados pelos Estados Unidos não justificam a taxação.
Ele lembrou ainda que o Brasil registra déficit comercial nas relações com os norte-americanos. Isso significa que o país compra mais produtos e serviços dos Estados Unidos do que vende ao mercado norte-americano.
Na avaliação do ministro, a nova tarifa foi aplicada sem uma análise adequada dos diferentes setores da economia brasileira. Durigan também rejeitou as alegações relacionadas a práticas comerciais indevidas e ao desmatamento, classificando-as como falsas.
O ministro afirmou que pretende apresentar a insatisfação brasileira e os argumentos do governo durante as próximas negociações com representantes dos Estados Unidos.
Durigan também descartou qualquer negociação envolvendo o Pix. Segundo ele, o sistema brasileiro é uma infraestrutura pública de pagamentos, e não um concorrente comercial de empresas norte-americanas.
“O Pix não está em negociação. Ele será preservado como um serviço público oferecido aos brasileiros”, afirmou.
O ministro avaliou ainda que há interesses políticos relacionados à decisão norte-americana. Essa interpretação, no entanto, representa a posição apresentada por Durigan durante a entrevista e não uma conclusão técnica definitiva sobre as motivações dos Estados Unidos.
Fonte: Agência Brasil