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Brasil intensifica articulação para virar parceiro pleno da Asean antes de cúpula nas Filipinas

Bloco reúne 11 países e movimentou US$ 38 bilhões em comércio com o Brasil em 2025; encontro de líderes está previsto para novembro em Manila

Vitória News 11/09/2026 07:17
Brasil intensifica articulação para virar parceiro pleno da Asean antes de cúpula nas Filipinas
Foto; Fabio Rodrigues-Pozzebom/ABr

O Brasil intensificou a articulação diplomática para ampliar sua participação na Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e conquistar o status de Parceiro de Diálogo Pleno do bloco.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A movimentação ocorre a cerca de dois meses da 49ª Cúpula da Asean e reuniões relacionadas, prevista para novembro nas Filipinas.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, encerrou nesta semana uma viagem por Singapura e Tailândia na qual o fortalecimento da relação brasileira com o Sudeste Asiático esteve entre os principais temas das agendas políticas e comerciais.

Desde 2022, o Brasil possui o status de Parceiro de Diálogo Setorial da Asean. A intenção do governo é avançar para uma relação mais ampla, que permita maior participação nos mecanismos políticos, econômicos e institucionais do grupo.

Nenhum país da América Latina possui atualmente o status de Parceiro de Diálogo Pleno da Asean.

Cúpula será realizada em Manila

A 49ª Cúpula da Asean e as reuniões relacionadas estão previstas para ocorrer em Metro Manila, nas Filipinas.

O governo filipino informou recentemente que os encontros serão realizados entre os dias 13 e 15 de novembro, sob o tema “Navigating Our Future, Together”.

Nesta semana, altos funcionários dos países da Asean já se reuniram em Manila para preparar a agenda do encontro de novembro, incluindo as relações externas do bloco.

Além da cúpula principal, o período terá reuniões envolvendo outros importantes mecanismos regionais, entre eles a Asean+3, formada pelos integrantes do bloco juntamente com China, Japão e Coreia do Sul, e a Cúpula do Leste Asiático.

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Brasil busca ampliar participação

Atualmente, a Asean mantém 12 Parceiros de Diálogo: Austrália, Canadá, China, União Europeia, Índia, Japão, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Rússia, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.

O Brasil integra outra categoria, a de Parceiro de Diálogo Setorial, ao lado de países como Alemanha, Noruega, África do Sul, Suíça e Emirados Árabes Unidos.

A mudança pretendida pelo governo brasileiro ampliaria o alcance institucional da relação com o grupo e abriria espaço para uma cooperação mais abrangente em áreas políticas, econômicas e sociais.

Em julho, Mauro Vieira participou em Manila de uma reunião trilateral entre Brasil, Filipinas — que exerce a presidência da Asean em 2026 — e o secretariado da organização.

Em agosto, o secretário-geral da Asean, Kao Kim Hourn, realizou uma visita de trabalho ao Brasil, a primeira de um chefe da organização ao país. As reuniões trataram da ampliação da cooperação em comércio, investimentos, economia digital, minerais críticos e pequenas e médias empresas.

Singapura entra na articulação

Durante a visita de Mauro Vieira a Singapura, entre os dias 6 e 8 de setembro, o chanceler se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Vivian Balakrishnan.

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Entre os assuntos discutidos esteve justamente a possibilidade de aprofundar o envolvimento brasileiro com a Asean durante a presidência de Singapura, que começa em 2027.

As conversas também envolveram comércio, investimentos, agronegócio, digitalização e sustentabilidade.

Outro ponto relevante foi a entrada em vigor, em 1º de agosto, do acordo de livre comércio entre Mercosul e Singapura, considerado pelo governo brasileiro mais uma porta de entrada para ampliar negócios no Sudeste Asiático.

Comércio cresceu dez vezes

O interesse brasileiro acompanha a rápida expansão comercial com a região.

O comércio entre Brasil e os integrantes da Asean passou de cerca de US$ 3 bilhões em 2003 para aproximadamente US$ 38 bilhões em 2025.

Com esse volume, o bloco já figura entre os principais parceiros comerciais do Brasil.

Entre 2023 e 2025, as exportações brasileiras para Singapura, Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia — os cinco principais mercados brasileiros dentro da Asean — alcançaram US$ 68,5 bilhões.

No mesmo período, o Brasil acumulou superávit de aproximadamente US$ 36 bilhões nas relações comerciais com esses países.

Singapura ocupa posição de destaque. Em 2025, o comércio bilateral chegou a US$ 10,7 bilhões, crescimento de 23% em relação ao ano anterior.

Tailândia e agronegócio

Depois de Singapura, Mauro Vieira seguiu para Bangkok, onde cumpriu agenda com autoridades e representantes empresariais da Tailândia.

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As conversas envolveram comércio, investimentos, ciência, tecnologia, inovação, biocombustíveis e segurança alimentar.

Um dos interesses brasileiros é a retomada das exportações de carne bovina para o mercado tailandês, suspensas em 2024.

Brasil e Tailândia movimentaram aproximadamente US$ 5,7 bilhões no comércio bilateral em 2025.

Os dois governos também discutiram cooperação no combate ao crime organizado transnacional, incluindo tráfico de pessoas e fraudes cibernéticas.

Região ganha peso na estratégia brasileira

A aproximação com a Asean ocorre em um cenário de diversificação dos mercados externos brasileiros.

Formada por Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Filipinas, Singapura, Tailândia, Timor-Leste e Vietnã, a associação reúne algumas das economias que mais crescem na Ásia.

Para o governo brasileiro, a ampliação das relações com a região pode abrir novos mercados para o agronegócio, produtos industriais e serviços, além de atrair investimentos e fortalecer a cooperação em tecnologia, energia e economia digital.

A decisão sobre a elevação do Brasil à condição de Parceiro de Diálogo Pleno depende dos integrantes da Asean. Com a aproximação da cúpula de novembro e a presidência de Singapura a partir de 2027, os próximos meses serão decisivos para a estratégia brasileira de ampliar sua presença institucional no Sudeste Asiático.

Fonte: Asean, Ministério das Relações Exteriores, Ministério das Relações Exteriores de Singapura, Governo das Filipinas e ABr

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