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Economia

Bolsa fecha em alta e dólar recua, com expectativa por ata do Copom e inflação dos EUA

FolhaPress 13/05/2024 18:52

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira fechou em alta de 0,52%, a 128,261,00 pontos, nesta segunda-feira (13), com investidores de olho no calendário macroeconômico da semana e em mais uma bateria de balanços corporativos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Já o dólar recuou 0,12%, cotado a R$ 5,151 na venda, em sessão volátil para a moeda norte-americana.

A semana começa com investidores atentos à publicação da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central), esperada para terça-feira, e à divulgação de novos dados da inflação dos Estados Unidos, na quarta.

O BC, na semana passada, decidiu pela redução em 0,25 ponto percentual da taxa Selic, indo de 10,75% para 10,50% ao ano. Por seis reuniões consecutivas, o entendimento da autarquia foi unânime em cortar os juros em 0,5 p.p., mas as conjunturas doméstica e externa levaram à desaceleração do ritmo —algo já precificado pelo mercado.

A surpresa, porém, esteve na divisão do Comitê: todos os diretores indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram favoráveis à redução de 0,5 p.p., enquanto os outros cinco dirigentes optaram pela de menor magnitude.

A divisão interna no Copom levantou temores sobre mudanças no perfil do colegiado, possivelmente mais leniente em relação à inflação, e sobre um possível viés político na autarquia a partir de 2025, quando será formado um novo mandato.

A expectativa é que a ata explique o porquê da divisão e ajude a calibrar expectativas para os próximos encontros.

SESC PICASSO

"Apesar da divisão dos votos, o comunicado foi aprovado de forma unânime pelos diretores, deixando para a ata o trabalho de explicitar a origem da dissidência. O comportamento das expectativas para a inflação deverá ser o ponto de atenção dos investidores a partir de agora. A pesquisa Focus de hoje já deverá dar algum sinal nesta direção", avalia José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos.

No relatório publicado nesta segunda, economistas consultados pelo BC passaram a prever que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial da inflação do país, encerre o ano em 3,76%, um aumento de 0,04 p.p. em relação à previsão anterior. Essa é a primeira semana de ajuste para cima, após uma sequência de quatro semanas de queda.

A projeção para a Selic também subiu: a expectativa é que encerre 2024 em 9,75%, 0,12 p.p. maior do que a previsão da semana anterior.

Em resposta, as taxas de juros futuros fecharam o dia próximas da estabilidade, na esteira da queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, chamados de "Treasuries".

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2025 estava em 10,32%, ante 10,306% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 10,59%, ante 10,567% do ajuste anterior.

Já a taxa para janeiro de 2027 estava em 10,98%, ante 10,964%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 11,29%, ante 11,2%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 11,72%, ante 11,743%.

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Outro destaque do calendário é a divulgação de dados da inflação ao consumidor dos Estados Unidos na quarta-feira, que podem definir as expectativas para cortes de juros no país.

O núcleo do índice de preços ao consumidor deve ter subido 0,3% em abril sobre o mês anterior e 3,6% na base anual, de acordo com estimativas de economistas consultados pela Reuters.

A semana também trará leituras de preços ao produtor e dados de vendas no varejo dos EUA, bem como falas de dirigentes do Federal Reserve, num momento de grande atenção dos mercados a qualquer pista sobre quando será o primeiro ajuste na política monetária norte-americana.

Atualmente, expectativas implícitas no mercado futuro de juros sugerem que o Fed fará seu primeiro corte em setembro.

Em geral, quanto mais o Federal Reserve cortar os juros e quanto menos o BC afrouxar a política monetária local, melhor para o real. Isso porque, quanto maior o diferencial de juros entre Brasil e EUA, mais interessante fica a moeda doméstica para uso em estratégias de "carry trade", em que investidores tomam empréstimo em país de taxas baixas e aplicam esse dinheiro em mercado mais rentável.

Na cena corporativa, investidores seguiram de olho em mais uma bateria de balanços. BTG Pactual anunciou lucro líquido ajustado de R$ 2,89 bilhões no primeiro trimestre, ante R$ 2,26 bilhões um ano antes. "Os resultados do BTG mostraram resiliência mais uma vez, entregando bons resultados, com resultado final um pouco acima da nossa estimativa", afirmaram analistas do Safra.

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Os papéis do banco avançaram 1,94% após a divulgação.

Em destaque, a Azul mostrou recuperação no balanço dos primeiros três meses do ano, reportando prejuízo líquido 55,4% menor do que no mesmo período do ano passado, em R$ 324,2 milhões. Analistas do Bradesco avaliaram que a companhia aérea teve forte desempenho operacional, e, em resposta, as ações da Azul subiram 1,72%.

Também na ponta positiva, Vale avançou 0,87%, em linha com os preços futuros do minério de ferro na China. CSN Mineração encerrou com ganhos de 8,68%.

As ações preferenciais da Petrobras encerraram o pregão sem alteração, ao passo que as ordinárias tiveram baixa de 0,34%.

YDUQS desabou 11,21%, mesmo após reportar lucro líquido ajustado de R$ 173 milhões, alta de 11,2% ano a ano.

Analistas do Santander destacaram como pontos negativos o volume "decepcionante" para o segmento presencial e a deterioração das provisões para devedores duvidosos. Do lado positivo, apontaram que o segmento premium continua forte e os preços para os alunos de nível superior aumentaram acima da inflação em todos os segmentos.

LWSA recuou 3,25%, a resseguradora IRB, 3,22%, e GPA, 2,58%.

Na sexta-feira (10), o Ibovespa fechou em queda de 0,46%, a 127.599,57 pontos, e o dólar subiu 0,29%, cotado a R$ 5,157 na venda.

Ao todo, a Bolsa acumulou queda de 0,68% na última semana, e o dólar avançou 1,75%.

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