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Economia

Bolsa cai 1% e dólar bate R$ 5,14 após Copom dividido sobre Selic

FolhaPress 09/05/2024 18:43

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira fechou em queda de 1,00%, a 128.188,38 pontos, com investidores repercutindo balanços corporativos e a decisão dividida pela desaceleração do ritmo de corte da taxa Selic.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Já o dólar avançou 1,03%, atingindo R$ 5,143 na venda.

O Banco Central decidiu cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, a 10,50% ao ano, interrompendo uma sequência de seis reduções seguidas de 0,50 ponto percentual e abandonando a indicação sobre o futuro dos juros básicos.

O corte, porém, levantou preocupações sobre mudanças no perfil do colegiado, com o Copom (Comitê de Política Monetária) também destacando em seu comunicado cenários internacional e doméstico incertos.

Segundo participantes do mercado, o que mais pesou foi a divisão na decisão, que, para muitos, revela viés político na autarquia.

De acordo com o comunicado do Copom, a redução de 0,25 ponto foi apoiada pelo presidente Roberto Campos Neto e os diretores Carolina Barros, Diogo Guillen, Otávio Damaso e Renato Gomes. Indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ailton de Aquino, Gabriel Galípolo, Paulo Picchetti e Rodrigo Teixeira votaram por corte maior, de 0,50 ponto percentual.

Pesa ainda a decisão de Galípolo, antes número 2 de Fernando Haddad, ministro da Fazenda, e hoje apontado como o favorito para ser o próximo presidente do BC. No final deste ano, Lula deverá indicar um novo presidente e mais dois diretores, conforme os mandatos de Campos Neto, Carolina Barros e Otávio Damaso se aproximam do fim.

SESC PICASSO

Com Galípolo de um lado e Campos Neto de outro, a análise é que a votação pode ter sinalizado "como será a política monetária do próximo mandato", avalia José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos.

Para Alfredo Menezes, sócio da gestora Armor Capital, o fato de todos os indicados pelo governo terem votado por maior flexibilização monetária ainda "pode passar uma percepção de que o novo BC em janeiro será muito influenciado pelo Poder Executivo".

A percepção de que o BC pode se tornar mais leniente com a inflação a partir de 2025, quando os dirigentes indicados por Lula se tornarem maioria na autarquia, fez as taxas de juros de longo prazo dispararem na tarde desta quinta.

A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2025 foi para 10,265%, ante 10,221% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 chegou a 10,49%, ante 10,473% do ajuste anterior.

Já a taxa para janeiro de 2027 bateu 10,88%, ante 10,809%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 marcou 11,205%, ante 11,094%. O contrato para janeiro de 2031 ficou em 11,68%, ante 11,511%.

"Na ponta curta, quem controla e quem dita é o BC. E se o mercado entende ou teme que o BC irá, de alguma forma, utilizar uma taxa de juros que não será sustentável para perseguir seu mandato, realmente ele vai demandar mais prêmios para as taxas mais longas. É a dinâmica que está acontecendo hoje", comentou Daniel Cunha, estrategista-chefe da BGC Liquidez.

CONTADOR - BONUS

"A divisão no Copom de alguma forma pegou os investidores com alguma surpresa e abriu margem para interpretações negativas quanto a desdobramentos de possíveis cenários à frente."

Apesar da divisão na votação, o Copom diz que, de forma unânime, avalia que o cenário global incerto, o cenário doméstico marcado por uma atividade econômica mais forte que a esperada e as expectativas de inflação acima da meta demandam maior cautela.

Sobre os próximos passos, o Copom diz que "a extensão e a adequação de ajustes futuros na taxa de juros serão ditadas pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta". Acrescenta, ainda, que a política monetária deve se manter contracionista até que se consolide não apenas o processo de queda da inflação, mas também "a ancoragem das expectativas em torno de suas metas".

O comunicado teve um tom "hawkish", avalia Marcelo Bolzan, sócio da The Hill Capital. A palavra é derivada de "hawk", ou "falcão", em inglês, e significa um comportamento agressivo, de ataque.

"Além disso, comentam sobre a necessidade de maior cautela, já que o ambiente externo mostra-se mais adverso, em função da incerteza elevada sobre o início da flexibilização de política monetária nos EUA."

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Na cena corporativa, boa parte dos papéis fechou no negativo, com uma nova bateria de balanços corporativos também de pano de fundo. Vale e Petrobras, as empresas de maior peso no Ibovespa, avançaram, o que conteve parte da pressão sobre o índice.

A mineradora avançou 0,81%, enquanto os papéis preferenciais e ordinários da petroleira subiram, respectivamente, 0,97% e 1,76%.

Rede D’Or subiu 2,54%, após anunciar que irá se unir a Bradesco Seguros para criar uma nova empresa de hospitais.

Entre as maiores quedas, 3R Petroleum perdeu 6,67%, após o Goldman Sachs manter a recomendação neutra sobre os papéis da petroleira, mesmo tendo ela apresentado um Ebitda maior que o esperado no primeiro trimestre.

As ações das Lojas Renner vieram em seguida, com perdas de 6,47%. A varejista de moda divulgou lucro líquido acima do esperado, mas fez a ressalva de que o forte calor dos últimos meses e as enchentes no Rio Grande do Sul podem prejudicar as vendas neste trimestre.

A alta dos juros futuros também afetou a varejista, assim com outras empresas do setor, como Arezzo, que perdeu 4,29%.

Ultrapar recuou 6,34%, apesar de ter avançado 64,6% no lucro anual líquido -um resultado que veio abaixo do esperado, de acordo com análise do Citi.

Na quarta-feira, o dólar fechou em alta de 0,46%, cotado a R$ 5,090, interrompendo a sequência de sessões estáveis iniciada na segunda-feira.

O Ibovespa avançou 0,19%, a 129.454,94 pontos, em pregão que demonstrou cautela dos investidores quanto ao tamanho do corte da Selic.

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