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Boas políticas públicas derrubam mitos de esquerda ou direita, diz pesquisador

FolhaPress 29/11/2024 11:19

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-diretor do Banco Central que testemunhou a implantação do Pix, o uso do Cadastro Único como instrumento para estruturar programas sociais e a implementação das câmeras corporais pela polícia (e como elas não conseguiram avançar em todos os estados).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Experiências de grande impacto social que podem servir de modelo para outras iniciativas fazem parte do livro "Políticas Públicas Bem-Sucedidas: Lições para Promover o Bem Comum", organizado pelo colunista da Folha Marcos Mendes.

"Colocar de pé uma política pública bem-sucedida é uma empreitada bastante difícil. É preciso fazer um diagnóstico adequado do problema a ser resolvido, formular possíveis diferentes soluções, verificar a eficácia, aumentar a escala da política posteriormente, evitar captura da política pública por interesses eleitorais, entre vários outros desafios", relata Mendes, que é pesquisador associado do Insper.

O volume é uma espécie de negativo da imagem apresentada em um outro livro lançado há pouco mais de dois anos, também sob organização do pesquisador: "Para Não Esquecer: Políticas Públicas que Empobrecem o Brasil", em que especialistas revisitavam medidas fracassadas —e apontavam os cuidados que o país deve tomar para não repetir erros do passado.

A obra, que conta com a participação de 23 autores, também mergulha no Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono) e nos modelos de controle e prevenção do desmatamento na amazônia.

SESC PICASSO

Para Mendes, os exemplos relatados no livro permitem um aprendizado importante da relevância do federalismo: alguns estados tentam uma política e fracassam, outros fazem melhor e prosperam.

"A existência de vários governos lidando com um mesmo problema, ao mesmo tempo, permite uma experimentação que será benéfica para todos, à medida que as estratégias bem-sucedidas sejam copiadas pelos demais", complementa.

Para o professor do Insper Sandro Cabral, o subtítulo do livro poderia ser "sí, se puede". "Temos coisas boas que foram feitas, que têm seus limites, mas apontam para configurações que podem explicar o sucesso ou eventualmente o fracasso da determinadas políticas."

É de autoria dele o capítulo que faz um balanço das duas décadas de PPPs (Parcerias Público-Privadas) no país, desde a primeira versão da lei, concebida em 2003 pelo hoje ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e depois alterada pelo Congresso e publicada no fim de 2004.

"No caso das PPPs, o ponto de partida para um projeto de sucesso é garantir um bom desenho. Se ela for bem desenhada, tende a ser executada de forma correta, e as duas ações dependem de competências que estão tanto no setor público quanto no setor privado", diz Cabral.

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Ele destaca como a ferramenta foi se tornando uma alternativa para viabilizar aportes em infraestrutura, considerando um cenário que não pode ser ignorado, de restrições fiscais e demanda por maior eficiência no gasto público.

O pesquisador acrescenta que o número de contratos no país mais que dobrou desde 2016 e que, embora metade tenha sido firmada no Sudeste, 28% foram assinados na região Nordeste, incluindo estados que têm sido governados pela esquerda nos últimos anos.

Partindo desse ponto de vista, os autores propõem centrar o debate em um lugar além da discussão de público versus privado —os exemplos disponíveis permitem que a sociedade vá além de debates ideológicos.

"É interessante ver como as parcerias ajudam a acabar com o mito de que elas são um negócio da direita. Os estados do Nordeste, com governos ditos de esquerda, abraçaram essa agenda, com Bahia, Pernambuco e Ceará avançando em projetos de água, conectividade, metrô, estádio de futebol."

Como exemplos positivos, ele destaca a construção e operação de unidades de ensino da rede municipal de Belo Horizonte, em que o poder público se concentrou nas atividades pedagógicas e repassou as demais obrigações para o parceiro privado.

Já o exemplo do sistema metroviário de Salvador, na visão de Cabral, mostra que o contrato continha um mecanismo interessante que incentivava o agente privado a acelerar as obras sem comprometer a qualidade da execução

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Perto dali, o projeto "Piauí Conectado" foi bolado pelo estado nordestino para expandir a infraestrutura de transmissão de dados, que acabou ajudando a aumentar a eficiência de órgãos públicos.

Por outro lado, Cabral ressalta que o caminho do fracasso, no caso das parcerias entre público e privado, é tentar tocar muitos projetos ao mesmo tempo.

Outro erro seria gastar energia e capital político em propostas que já se revelam desde o início inviáveis do ponto de vista financeiro ou jurídico.

Uma modelagem financeira ruim e a falta de liderança política que demonstre estar comprometida com a agenda também ajudam a sepultar propostas de parceria.

"O trabalho desnecessário só gera calor. No caso do Brasil, de exemplos que não deram certo, temos a política de segurança pública e a política prisional, que, na média, não dão certo e há elementos de gestão nisso", diz Cabral.

"Há toda uma literatura de avaliação de resultados de políticas públicas e um um esforço do Ministério do Planejamento hoje nesse sentido. O que a gente precisa é ter essa cultura disseminada, com gente treinada, e as nossas classes políticas e empresariais precisam reconhecer a importância da avaliação."

POLÍTICAS PÚBLICAS BEM-SUCEDIDAS: LIÇÕES PARA PROMOVER O BEM COMUM

- Preço 80

- Autoria Diversos; organização de Marcos Mendes

- Editora Jandaíra

- Págs. 242

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