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Economia

BC aumenta taxa Selic para 13,25%, Fed mantém taxa básica de juros e o que importa no mercado

FolhaPress 30/01/2025 09:17

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Banco Central seguiu as projeções do mercado e aumentou a taxa Selic em um ponto percentual, levando-a a 13,25% ao ano, Federal Reserve também não surpreende e mantém a taxa básica de juros e outros destaques do mercado nesta quinta-feira (30).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Erramos: a edição desta quarta (29) citou o sistema de inteligência artificial da Meta, o Llama, como exemplo de um modelo de linguagem com o código fechado. O sistema é aberto e pode ser usado por desenvolvedores e empresas para criar suas aplicações.

**SEM SURPRESAS**

Na primeira reunião do ano, o Copom (Comitê de Política Monetária) aumentou a taxa básica de juros em um ponto percentual para 13,25%, .Essa foi a primeira decisão com Gabriel Galípolo na presidência do Banco Central.

Política monetária para iniciantes. É popular a ideia de que aumentar a taxa básica de juros ajuda a segurar a inflação.

Com a taxa mais alto, o acesso ao crédito encarece e, por consequência, o consumo também é afetado. Menos dinheiro circulando, menores os preços.

Ainda, a Selic mais alta ajuda a atrair investimentos do exterior. Os rendimentos estarão maiores em alguns títulos, como aqueles atrelados ao Tesouro Nacional.

Por fim, na economia, as expectativas afetam a realidade. Se o BC sobe os juros, os investidores entendem que há uma intenção de controle da inflação. É uma mensagem para tranquilizar o mercado.

Essa é uma explicação muito básica do que está previsto no papel. Nem sempre a realidade segue as linhas do que foi escrito.

REAÇÃO

O mercado já esperava esse aumento, então sem surpresas. O comunicado do Banco Central sobre o assunto era mais esperado do que a taxa em si.

“O cenário mais recente é marcado por desancoragem adicional das expectativas de inflação, elevação das projeções de inflação, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado do trabalho, o que exige uma política monetária mais contracionista”, escreveu o comitê.

PREÇOS SALGADOS

A leitura da inflação pelo IPCA-15, divulgado na última sexta (24), mostrou uma aceleração de 0,11% –maior do que a expectativa do mercado, que era de uma queda de 0,02%.

Os grupos mais preocupantes são o dos alimentos e dos serviços, segundo o coordenador de economia e finanças da ESPM, Alexandre Espírito Santo.

“O discurso precisava ser ‘duro’, mostrando que a autoridade monetária irá atuar como se espera dela, a despeito das eventuais pressões”, comentou o especialista.

E as autoridades? O presidente Lula (PT), em geral, é crítico a taxas de juros altas. Fernando Haddad, também já afirmou que acredita que a política monetária sozinha não resolve a economia.

SESC PICASSO

“Baixar o juro é uma briga eterna nesse país. Mas mesmo se o juro for zero, se o cara não tiver dinheiro, ele não vai consumir. O importante é a circulação do dinheiro”. Quem disse isso? Descubra clicando aqui.

**O QUE MUDA PARA VOCê?**

A principal mudança é que o custo do crédito sobe. Isso torna os bancos mais seletivos em relação à concessão de empréstimos e financiamentos.

↳ Um setor da economia que, em geral, se incomoda com o aumento dos juros é o imobiliário –as pessoas tendem a entrar em menos financiamentos quando as condições estão piores.

↳ As empresas dessa área foram beneficiadas pela ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo. O aumento da Selic pode ser um revés.

NA PRÁTICA

As taxas de juros cobradas aos consumidores da pessoa física vão atingir, na média, 119,44% ao ano, segundo cálculos da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

Na relação entre os juros cobrados ao consumidor e a Selic, isso significa uma variação de mais de 800%. Aqui vão alguns exemplos de como isso pode te impactar:

No rotativo do cartão de crédito, a taxa mensal passa de 14,86% para 14,94%;

Para financiar algo no valor de R$ 1.500 em 12 meses, por exemplo, a taxa mensal de juros subiu de 5,20% para 5,28%, resultando em um acréscimo de R$ 9,22 no valor total;

No caso de um financiamento de um carro de R$ 40 mil em 60 meses, a compra vai ficar R$ 1.337,32 mais cara, segundo a simulação.

Tem algo de bom? Sim. É hora de investir em títulos de renda fixa, sobretudo pós-fixados –alguns já passam a render mais amanhã.

Produtos como CDBs, LCIs ligados ao CDI e Tesouro Selic irão render o equivalente a um ponto percentual a mais por ano.

Muita calma nessa hora. Especialistas recomendam que você não coloque todos os seus investimentos nesses títulos.

A regra de bolso para o sucesso de uma carteira de investimentos é a diversificação.

Ainda que as expectativas sejam de que a Selic possa chegar a 15% no fim do ano, há classes de ativos que podem garantir uma rentabilidade semelhante por um período.

Títulos prefixados e híbridos, que combinam a variação da inflação com um juro predeterminado, são exemplos.

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Lembrete: para garantir a taxa que você previu quando fez a aplicação, é importante não fazer o resgate antes do prazo estipulado, já que o preço de alguns desses títulos oscila diariamente.

***PAUSA NA QUEDA**

Assim como por aqui, lá nos Estados Unidos também aconteceu a reunião do conselho monetário do país, o Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto). Ele decidiu pela manutenção da taxa de juros em 4,25% a 4,50% ao ano.

↳ Quando as decisões do Copom e do Fomc coincidem, o mercado brasileiro costuma apelidar o dia de “superquarta” –se você ler por aí, já sabe.

“POUSO SUAVE”.

Essa é a primeira vez que o Federal Reserve, banco central americano, decidiu manter a taxa de juros desde setembro do ano passado.

Foram três cortes consecutivos para chegar a um ponto percentual de redução.

A decisão era amplamente prevista pelo mercado, que determina o fim da estratégia aplicada por Jerome Powell, presidente do Fed, para segurar uma inflação resiliente nos EUA.

Cortes pequenos, à medida que a inflação desacelera aos poucos, para não afrouxar o cerco na economia de uma vez só.

MAS...

A inflação persiste, e o nível dos preços continua alto para os americanos. Menores do que há dois anos, mas maiores do que o desejado pela maioria.

Em comunicado, o Fomc manteve a preocupação com os preços, que continuam em ritmo de aumento elevado, e deu poucas pistas sobre quando ocorrerão novas reduções.

A projeção dos investidores é que um novo corte só venha a acontecer em junho deste ano.

Donald Trump quer taxas de juros menores e já instou o Federal Reserve publicamente a cumprir seus desejos.

O controle da inflação e a redução do custo de vida estavam no centro da pauta de sua campanha eleitoral –para isso, ele quer o barateamento do crédito.

Depois da decisão, Trump disse em redes sociais que o Fed “fez um péssimo trabalho de regulação”.

“Se o Fed tivesse gastado menos tempo em DEI [sigla em inglês para diversidade, equidade e inclusão], ideologia de gênero, energia ‘verde’ e mudanças climáticas falsas, a inflação nunca teria sido um problema”, escreveu.

**TIKOTK VIRA LOJA**

Quem acha que só a geração Z está no TikTok publicando dancinhas está desatualizado. Só 33% dos usuários do aplicativo têm entre 18 e 24 anos.

Um relatório do time de pesquisa do Santander quis mostrar que a plataforma é um ambiente interessante para estimular os negócios no Brasil. Vamos aos detalhes.

BRASILEIROS NA REDE

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111 milhões de brasileiros passam uma média de 60 minutos diários no TikTok, segundo dados levantados pelo banco.

Cerca de 51% dos usuários têm de 25 a 44 anos, ou seja, provavelmente têm um salário e coisas que querem gastar ele com.

É aí que entra a TikTok Shop. Uma iniciativa da empresa que já funciona na Inglaterra e nos Estados Unidos e permite os usuários da rede a comprarem o que estão vendo nos vídeos dentro da própria plataforma.

No exterior, tem dado certo: 71% de quem usou o e-commerce passa da descoberta para a compra dentro do ambiente online.

E o Brasil? A loja pode aterrissar aqui eventualmente, de acordo com o Santander. O Tik Tok ainda não tem planos concretos para isso, respondeu a plataforma quando consultada pela FolhaMercado.

O Brasil é o terceiro maior mercado da rede social, ficando atrás apenas da Indonésia e dos Estados Unidos.

Some a isso a capacidade de engajamento do sistema. Os algoritmos do TikTok geram de três a quatro vezes mais engajamento que o Instagram no nosso país.

O resultado projetado pelos autores do relatório é que a TikTok Shop poderia abocanhar entre 5 e 9% do e-commerce brasileiro em até três anos do seu lançamento no país.

Isso geraria entre R$ 25 e R$ 39 bilhões em valor bruto de mercadoria.

Quem ganha e quem perde?

As marcas que estão acostumadas a lidar com o público no ambiente digital, ganham. Quem (ainda) não chegou lá, perde.

A pesquisa levantou algumas empresas que podem se dar bem com a (possível?) chegada da TikTok Shop no Brasil, confira:

- Boticário, Burger King, Smart Fit e Natura estão bem-preparadas para uma empreitada do tipo, pois criam conteúdo com bom engajamento;

- Renner, C&A e Mercado Livre também têm potencial para construir uma base de clientes no novo e-commerce;

- Azzas 2154, Guararapes, SBF e Vulcabras precisam se preparar melhor para esse momento, na análise do Santander.

O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER

Haddad promete corrigir o texto da reforma tributária e não taxar fundos imobiliários. Esses assuntos devem voltar à tona na próxima semana, quando as atividades voltam em Brasília.

Deportação em massa de Trump nos EUA pode afetar a economia da América Latina. Há países da região onde mais de 1/4 do PIB é formado pelas remessas enviadas pelos imigrantes para as suas famílias.

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