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Aumento de etanol na gasolina gera debate sobre segurança dos veículos e impacto nos preços

MPF pede suspensão da mistura de 32%, enquanto setor sucroenergético afirma que medida reduz importações e não compromete o funcionamento dos motores

Vitória News 02/08/2026 05:49
Aumento de etanol na gasolina gera debate sobre segurança dos veículos e impacto nos preços
Foto: Tânia Rêgo/ABr

O aumento da quantidade obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%, provocou divergências sobre os possíveis efeitos da medida nos veículos e no preço pago pelos consumidores. A nova composição, conhecida como E32, foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O Ministério Público Federal ingressou com uma ação civil pública para tentar suspender a adoção da mistura até que novos estudos comprovem sua segurança para os diferentes modelos que integram a frota brasileira.

Segundo o órgão, os testes apresentados até o momento não demonstram de forma conclusiva os impactos do E32 sobre a durabilidade de componentes, a autonomia, as emissões e a compatibilidade com veículos de diferentes tecnologias e anos de fabricação.

A ação aponta a possibilidade de corrosão de peças, desgaste de bombas de combustível e falhas nos sistemas de injeção eletrônica. Os riscos seriam maiores em motocicletas, automóveis antigos e veículos importados.

Os procuradores também argumentam que parte dos estudos disponíveis foi produzida para avaliar a gasolina com 30% de etanol e não para confirmar a adoção permanente da mistura de 32%. O pedido inclui a realização de uma perícia técnica independente e avaliações mais amplas sobre possíveis impactos ambientais.

SESC PICASSO

Em posição contrária, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia afirma que a nova mistura é segura e pode fortalecer a independência energética do país. A entidade sustenta que o maior uso de etanol diminui a necessidade de importação de gasolina e pode ajudar a conter o custo dos combustíveis.

A organização afirma que os testes não identificaram alterações relevantes no desempenho, na dirigibilidade, na partida a frio, no consumo, nas emissões ou no funcionamento dos veículos avaliados.

Os estudos foram realizados com automóveis leves e motocicletas movidos a gasolina, fabricados entre 1994 e 2024. De acordo com o setor, até mesmo os modelos mais antigos testados não apresentaram problemas durante partidas, marcha lenta, aceleração ou condução.

CONTADOR - BONUS

Além da discussão técnica, a mudança também tem impacto econômico. A estimativa do setor é que o aumento da participação do etanol permita ao Brasil reduzir em aproximadamente 800 milhões de litros por ano a importação de gasolina.

A entidade calcula ainda que a presença do biocombustível no mercado nacional evitou um aumento de aproximadamente R$ 8 bilhões nos custos dos combustíveis durante os últimos três meses.

A adoção do E32 permanece no centro do debate entre a busca por combustíveis mais renováveis e baratos e a necessidade de garantir que a nova composição não provoque danos aos veículos em circulação no país.

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