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Economia

Auditores de São Paulo reclamam de falta de palestras e oficinas sobre reforma tributária

FolhaPress 11/06/2025 12:58

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Auditores fiscais do estado de São Paulo afirmam que não estão sendo preparados com debates, palestras ou workshops para a reforma tributária, que deve começar a ser implementada a partir de 2026, ainda em um estágio de orientação do contribuinte.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Secretarias de outros estados já organizaram seminários e deram oficinas para auditores e também para profissionais das prefeituras, e aqui foram poucas iniciativas como essas", diz Devanir Zualini, presidente do Sinafresp (Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de São Paulo). Ele afirma que soube de encontros em Bauru e Marília, mas diz que foram em número insuficiente.

"Não tem sido feita preparação ou atualização e ninguém foi chamado para isso, e somos nós efetivamente que vamos fazer a fiscalização na ponta, que vamos garantir que esse sistema funcione", diz ele.

Procurada no dia 4 de junho, a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo não respondeu à reportagem até a publicação deste texto.

Zualini afirma que houve auditores de São Paulo que se envolveram com a reforma tributária, mas de maneira voluntária.

SESC PICASSO

Para o presidente do sindicato, a Secretaria da Fazenda do Paraná é um exemplo de órgão que fez ações para envolver os auditores nas discussões sobre a reforma tributária.

Fernades dos Santos, presidente do Sindafep (Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita do Estado do Paraná) afirma que a Receita do estado tem atuado em conjunto com a Procuradoria-Geral local e que já ocorreram debates entre todos os delegados e a cúpula administrativa. "O objetivo é preparar e estruturar toda a equipe para o novo cenário, que representa um desafio não apenas para os contribuintes", diz ele.

A Secretaria de Fazenda de Minas Gerais também fez eventos -houve uma reunião presencial no dia 2 com todos os servidores nomeados para criar os mecanismos internos de amortecimento das mudanças advindas da reforma tributária.

Em janeiro deste ano foi aprovada a lei complementar que estabelece a criação de um novo IVA (Imposto sobre Valor Agregado) dual, composto de dois novos tributos (CBS e IBS).

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No ano que vem, as empresas começam a ter os primeiros contatos com a novidade: nas notas fiscais, vão destacar quais seriam os valores desses dois novos impostos, mas ainda sem recolher esse dinheiro.

Esses primeiros meses vão servir para a administração pública verificar a viabilidade do novo modelo e realizar as adaptações necessárias. A transição vai até 2033.

Após a mudança, os impostos que incidem sobre consumo e prestação de serviços vão deixar de ser cobrados no estado de produção e passarão a ser recolhidos no estado onde houve o fato gerador.

Nos primeiros anos da adaptação às novas regras, é esperada uma alta de pedidos de ressarcimentos decorrentes da substituição tributária. Este é um mecanismo que vai desaparecer com a reforma: por ele, o governo concentra a cobrança em um único elo da cadeia produtiva -geralmente o primeiro, como uma indústria-, que é responsável por recolher o imposto devido até o consumidor final.

ESFERA FEDERAL PREPARA NOVO SISTEMA

Na Receita Federal já houve diversas palestras e eventos sobre o tema e, além disso, centenas de servidores estão envolvidos no projeto do novo sistema.

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Marcos Hübner Flores, gerente de projeto da reforma tributária do consumo na Receita Federal, diz que uma versão piloto do sistema que será usado pelas empresas já começará a ser testada no mês que vem, mesmo sem a regulamentação da reforma tributária.

Segundo ele, quando a reforma tributária tiver sido implementada, algumas das tarefas atuais dos auditores provavelmente vão ser desnecessárias. Ele cita duas: a auditoria de eventuais notas frias (notas fiscais de serviços que não foram realmente prestados e que são usadas para diminuir a base de incidência do imposto) e as disputas com contribuintes que entram em litígio com a Receita sabendo que não têm razão, mas precisam de tempo.

O trabalho do auditor, ele afirma, deverá ser menos de fiscalização e mais de apoio.

"Agora estamos mais preocupados com a regulamentação (da reforma tributária) e com o desenvolvimento do sistema, o ano de 2026 vai servir mais para orientar o contribuinte, nosso prazo (para que os auditores estejam treinados) é 2027", afirma Flores.

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