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Economia

Às vésperas da vigência da NR-1, tema é estruturado em só 10,7% das empresas

Estadão Conteúdo 19/04/2026 07:16

A poucas semanas do início da vigência plena da Norma Regulamentadora n.º 1 (NR-1), que reconhece os riscos à saúde mental como parte dos riscos ocupacionais, as empresas no Brasil ainda apresentam um quadro insuficiente quando o tema é a manutenção de um programa corporativo estruturado sobre o tema.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A partir de 26 de maio deste ano, por determinação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), as companhias em operação no País terão de adotar ações para mapear e mitigar riscos que afetam a saúde mental dos trabalhadores, como estresse, assédio moral e excesso de carga de trabalho.

Apesar disso, apenas 10,7% das organizações no Brasil possuem uma estratégia de saúde mental plenamente estruturada, com programas integrados, mensuração e impacto contínuo nos negócios.

O ponto é um dos dados de um levantamento realizado em março, durante a 1.ª edição do fórum HR First Class Rio de Janeiro, que discutiu o tema "A relevância e o impacto da saúde mental nas empresas". O mapeamento contou com 300 respondentes - lideranças de Recursos Humanos (RH) - de grandes e médias empresas dos setores varejista, industrial, de energia e de serviços.

Como maiores obstáculos para avanço na agenda de saúde mental nas empresas, os entrevistados indicaram falta de métricas claras e capacidade de mensuração de investimentos (41,1%) e limitações orçamentárias ou disputa da agenda com outras prioridades (28,6%) dentro das companhias.

SESC PICASSO

A falta de uma agenda mais amplamente consolidada nas empresas indica falta de inserção do tema na cultura corporativa, avalia o diretor executivo do HR First Class, Marcos Scaldelai, porta-voz da pesquisa. Isso significa, segundo ele, que a preocupação com a saúde mental ainda tem ficado restrita a um setor específico.

Cultura

"Infelizmente, (a alta liderança) acaba não colocando (o tema) como prioridade dentro das estratégias de negócios e tratam o assunto apenas como responsabilidade do RH. A saúde mental precisa estar inserida na cultura da empresa", diz ele.

CONTADOR - BONUS

As empresas mais maduras em seus programas de saúde mental já conseguem mensurar ganhos relevantes, segundo apontam seus representantes. Um total de 8,9% afirma reportar impactos positivos acima de 20% em indicadores de absenteísmo e presenteísmo (ausência e presença de empregados), produtividade e custos de saúde.

De acordo com o estudo, as empresas que conseguirem transformar essas iniciativas em modelos de gestão orientados por dados e conectados ao negócio irão obter maior valor, tanto no que diz respeito à performance quanto à sustentabilidade da organização.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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