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Economia

ANP desiste de criar calendário para suspender venda de diesel mais poluente

FolhaPress 11/09/2025 17:06

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) desistiu de montar um cronograma para deixar de vender os tipos de diesel mais poluentes S500 e S1800 no Brasil, que estão sendo substituídos gradualmente pelo S10, com menor teor de enxofre.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

No ano passado, a agência havia criado um grupo de trabalho para descontinuar os dois tipos, que já não são permitidos em áreas urbanas. O S1800 tem menos de 0,2% de participação no mercado nacional e só é utilizado residualmente para fins não rodoviários, principalmente por usinas termelétricas.

O S500, porém, ainda tem 30% de representatividade, com maior presença na região Norte e em áreas remotas, e sua descontinuidade preocupa caminhoneiros, que temem um aumento do preço. Em muitos postos do país, o S10 chega a ser até 10 centavos a mais que o S500.

O objetivo da descontinuidade era reduzir as emissões do dióxido de enxofre, poluente associado à chuva ácida, menos presente no diesel S10.

A decisão de continuar avaliando o mercado, aprovada na última sexta-feira (5) pela diretoria da agência, surgiu após um estudo da área técnica concluir que a representatividade do S500 caiu consideravelmente em todas as regiões do país nos últimos dez anos. O S10, introduzido em 2012 na matriz veicular nacional, já representa quase 70% do consumo.

SESC PICASSO

O estudo mostrou que, apesar de um cronograma de descontinuidade do S500 trazer ganhos ambientais, poderia resultar em aumento no preço final do combustível e maior dependência de importações.

Segundo a ANP, porém, isso não tem relação com o valor cobrado pelos postos atualmente, mas sim com o custo de adaptação das refinarias que ainda produzem o S500, o que poderia vir a ser repassado ao consumidor.

A partir de agora, o grupo de trabalho pretende aprofundar estudos sobre outros pontos do tema, como a proposta de barrar investimentos em ampliações e novas instalações que produzam diesel de alto teor de enxofre.

"Estivemos acompanhando a ANP nessa análise, para ver se o diesel vai ficar mais caro para os caminhoneiros", afirma o presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), Wallace Landim, conhecido como Chorão, um dos líderes da greve dos caminhoneiros de 2018.

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"Se fica mais caro para os caminhoneiros, fica para todo mundo. É uma cadeia, sobe os preços do supermercado", diz.

De janeiro de 2015 a maio de 2025, segundo a ANP, a queda de representatividade do óleo diesel S500 foi de 47% no Centro-Oeste, 43% no Nordeste, 42% no Sul, 38% no Sudeste e 36% no Norte.

Diante disso, a agência decidiu implementar ações de monitoramento e permitir que a transição continue ocorrendo de forma gradual.

"No caso do diesel S1800, cuja participação no mercado é muito baixa, a tendência é que a sua eliminação ocorra de maneira ainda mais rápida e natural", afirma o órgão em nota.

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