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Economia

Ampliação de R$ 15,7 bi para novas despesas deve afastar novo bloqueio do Orçamento

FolhaPress 21/05/2024 11:09

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A ampliação em R$ 15,7 bilhões de espaço permanente para novas despesas deve afastar a necessidade de o governo fazer um novo bloqueio no Orçamento para evitar um estouro do limite de gastos previsto no novo arcabouço fiscal.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Na véspera do envio do segundo relatório de avaliação de receita e despesas do Orçamento, o governo do presidente Luiz Inácio Lula (PT) ainda faz contas, mas a expectativa até agora é que o primeiro bloqueio de R$ 2,9 bilhões, realizado em março passado, também possa ser revertido, ao menos em parte.

A ampliação do espaço de despesas amorteceu o aumento das previsões das despesas obrigatórias de março para maio, segundo técnicos do governo a par da elaboração do relatório ouvidos pela Folha.

O envio do documento ao Congresso é uma peça que faz parte da política fiscal brasileira e serve para o governo verificar os riscos de descumprimento tanto do teto de despesas como da meta fiscal.

Embora a meta fiscal deste ano tenha como alvo central o déficit zero, o arcabouço permite uma flutuação de até 0,25% do PIB (Produto Interno Bruto) para mais ou menos.

O resultado das contas públicas, que constará no relatório, estará dentro da margem de tolerância da meta fiscal e que permite um déficit de até R$ 28,5 bilhões – o equivalente a 0,25% do PIB, garantem os técnicos. O primeiro relatório de março indicou um déficit de R$ 9,3 bilhões (-0,1% do PIB).

A abertura do crédito para novas despesas já era esperada para maio e estava prevista no artigo 14 da lei que criou o novo arcabouço fiscal. Ele poderia ser feito, caso a avaliação das receitas fosse favorável no relatório de avaliação do Orçamento do segundo bimestre, o que de fato aconteceu.

O governo conseguiu, inclusive, incluir no projeto de lei que criou o novo DPVAT (seguro obrigatório de trânsito) um dispositivo para fazer uma antecipação automática da abertura desse espaço fiscal antes de maio. Mas até agora o governo Lula não fez essa crédito suplementar para novos gastos, o que sinaliza que foi possível esperar sem recorrer à antecipação.

SESC PICASSO

O tamanho do crédito corresponde à diferença entre a alta real do limite vigente (1,7%) e o teto máximo autorizado pelo novo arcabouço fiscal (2,5%).

Além da boa arrecadação de impostos, um dos fatores que ajudaram foi o pagamento de dividendos extraordinários da Petrobras, após a reversão da decisão do Conselho de Administração da companhia de suspender inicialmente o repasse aos acionistas.

Por outro lado, o governo deverá registrar uma perda de arrecadação de cerca de R$ 3,2 bilhões com a desoneração da folha de pagamentos de 17 setores e de prefeituras até 156 milhões habitantes, após o ministro Cristiano Zanin do STF (Supremo Tribunal Federal) suspender por 60 dias o sua própria liminar que tinha sustado o benefício.

O valor de renúncia de R$ 3,2 bilhões é calculado para o período de dois meses da decisão do ministro Zanin - R$ 2 bilhões da desoneração das empresas e R$ 1,2 bilhão dos municípios. Se não fosse esse prazo de 60 dias, o governo teria que incluir o custo anual da desoneração, calculado em cerca de R$ 17,2 bilhões pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

O prazo de 60 dias foi dado pelo ministro Zanin para que fossem concluídas a negociação e votação do novo projeto de reoneração gradual da folha de pagamentos, além da definição de medida compensatória para financiar a perda de arrecadação. Um técnico informou que haverá a compensação, mas não está claro ainda se ela sairá até a data do envio do relatório.

CONTADOR - BONUS

A negociação para a votação da derrubada do veto do presidente Lula ao Orçamento, que cortou R$ 5,6 bilhões de emendas parlamentares, também ajudou a dar um pouco de alívio neste segundo relatório do lado das despesas.

O veto foi derrubado parcialmente e recompôs R$ 3,6 bilhões das emendas e não seu valor integral. Esse valor recomposto reduziu o espaço das despesas de programas de governo, mas o custo poderia ter sido maior se a derrubada do veto tivesse sido de R$ 5,6 bilhões.

Os gastos extras com o socorro ao Rio Grande do Sul para o enfrentamento da tragédia no Estado, provocada pelas inundações, não entrará no cálculo da meta fiscal.

ENTENDA A DIFERENÇA ENTRE BLOQUEIO E CONTINGENCIAMENTO

O novo arcabouço fiscal determina que o governo observe duas regras: um limite de gastos e uma meta de resultado primário (verificada a partir da diferença entre receitas e despesas, descontado o serviço da dívida pública).Ao longo do ano, conforme mudam as projeções para atividade econômica, inflação ou das próprias necessidades dos ministérios para honrar despesas obrigatórias, o governo pode fazer ajustes para garantir o cumprimento das duas regras.

Se o cenário é de aumento das despesas obrigatórias, é necessário fazer um bloqueio. Se as estimativas apontam uma perda de arrecadação, o instrumento adequado é o contingenciamento. Na prática, porém, o efeito acaba sendo o mesmo: o congelamento de recursos disponibilizados aos ministérios.

Como funciona o bloqueio?

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O governo segue um limite de despesas, distribuído entre gastos obrigatórios (benefícios previdenciários, salários do funcionalismo, pisos de Saúde e Educação) e discricionários (investimentos e custeio de atividades administrativas).Quando a projeção de uma despesa obrigatória sobe, o governo precisa fazer um bloqueio nas discricionárias para garantir que haverá espaço suficiente dentro do Orçamento para honrar todas as obrigações.

Como funciona o contingenciamento?

O governo segue uma meta fiscal, que mostra se há compromisso de arrecadar mais do que gastar (superávit) ou previsão de que as despesas superem as receitas (déficit). Neste ano, o governo estipulou uma meta zero, que pressupõe equilíbrio entre receitas e despesas. Como a despesa não pode subir para além do limite, o principal risco ao cumprimento da meta vem das flutuações na arrecadação. Se as projeções indicam uma receita menos pujante, o governo pode repor o valor com outras medidas, desde que tecnicamente fundamentadas, ou efetuar um contingenciamento sobre as despesas.

Pode haver situação de bloqueio e contingenciamento juntos?

Sim. Não é este o cenário atual, mas é possível que, numa situação hipotética de piora da arrecadação e alta nas despesas obrigatórias, o governo precise aplicar tanto o bloqueio quanto o contingenciamento. Neste caso, o impacto sobre as despesas discricionárias seria a soma dos dois valores.

Quanto foi bloqueado no primeiro relatório de março?

Foram bloqueados R$ 2, 9 bilhões. Não houve necessidade de contingenciamento porque os dados oficiais indicaram um déficit de R$ 9,3 bilhões no ano, o equivalente a -0,1% do PIB. Embora pior do que o superávit de R$ 9,1 bilhões aprovado no Orçamento, o resultado estava dentro do intervalo de tolerância da meta defendida pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda).

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