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América Latina atrai projetos de minerais críticos, mas enfrenta riscos regulatórios

Relatório da Moody’s destaca potencial geológico e custos competitivos, porém aponta entraves técnicos, ambientais e financeiros para novos investimentos

Vitória News 25/07/2026 09:59
América Latina atrai projetos de minerais críticos, mas enfrenta riscos regulatórios
Imagem gerada por IA/VN

A América Latina possui condições favoráveis para ampliar sua participação no mercado de minerais críticos, mas ainda enfrenta obstáculos que afetam a atratividade e a qualidade do crédito dos projetos desenvolvidos na região.

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A avaliação consta em relatório da Moody’s, que destaca a disponibilidade de recursos minerais, a experiência operacional de alguns países e o risco geopolítico relativamente baixo como vantagens competitivas.

Ao mesmo tempo, incertezas regulatórias, dificuldades de execução, custos elevados, lacunas tecnológicas e riscos ambientais e sociais podem atrasar empreendimentos e limitar o acesso a financiamentos de longo prazo.

Minerais ganham importância estratégica

Os minerais críticos passaram a ocupar posição central nas políticas industriais, energéticas e de defesa de diferentes países.

A expansão da inteligência artificial, dos centros de processamento de dados e das tecnologias de energia limpa aumentou a preocupação com a segurança do abastecimento e a concentração das cadeias globais de produção.

Governos e empresas buscam fornecedores alternativos, mesmo quando os custos são superiores, para reduzir a dependência de poucos países e ampliar a autonomia estratégica.

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Nesse cenário, a América Latina ganha relevância por reunir reservas minerais, infraestrutura em algumas regiões, mão de obra qualificada e experiência em atividades de mineração.

Processamento pode aumentar valor agregado

O relatório aponta que o avanço do processamento industrial dos minerais representa uma oportunidade para elevar as margens das empresas e melhorar seus perfis de crédito.

Em vez de exportar apenas a matéria-prima, os países podem investir em etapas de beneficiamento e transformação, ampliando o valor agregado dos produtos.

Essa estratégia, entretanto, exige capital elevado, tecnologia, infraestrutura e contratos comerciais capazes de garantir demanda ao longo dos anos.

Os projetos também dependem de acesso a energia competitiva e de parcerias com empresas que já dominam as etapas mais complexas do processamento.

China mantém ampla vantagem

A China possui posição dominante nas cadeias globais de minerais críticos após décadas de investimentos em mineração, processamento e tecnologia.

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O país reúne capacidade industrial em grande escala, mão de obra especializada e forte coordenação entre governo e empresas.

Segundo a Moody’s, novos participantes latino-americanos não conseguem reproduzir rapidamente esse ecossistema, o que aumenta as dificuldades para companhias menores e projetos em fase inicial.

Brasil tem vantagens na matriz energética

Brasil, Chile, Argentina e Peru apresentam condições distintas para disputar investimentos no setor.

No caso brasileiro, a matriz elétrica relativamente limpa e o alinhamento com padrões ambientais adotados por economias desenvolvidas podem favorecer o processamento de minerais críticos.

Essas características permitem oferecer produtos com menor intensidade de carbono, atributo cada vez mais valorizado por compradores internacionais.

Apesar disso, o país ainda enfrenta necessidade de grandes investimentos, limitações tecnológicas e dependência de parcerias com processadores estabelecidos na Ásia e em outras economias avançadas.

Regulação influencia decisões de investimento

A estabilidade das regras e das políticas públicas é apontada como um dos fatores decisivos para o desenvolvimento dos projetos.

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Mudanças regulatórias, demora na concessão de licenças e falta de previsibilidade podem elevar custos, atrasar cronogramas e reduzir o interesse dos investidores.

A qualidade do crédito também depende da capacidade de execução, da solidez financeira das empresas e do acesso a contratos de compra de longo prazo.

Projetos com custos de produção mais baixos, balanços sólidos e contratos que garantem a venda futura dos minerais tendem a enfrentar melhor as oscilações de preço e os ciclos do mercado.

Riscos ambientais e sociais exigem atenção

Os empreendimentos também precisam considerar impactos ambientais, uso de recursos naturais e relacionamento com comunidades locais.

Falhas nessas áreas podem gerar paralisações, disputas judiciais, aumento de despesas e danos à reputação das empresas.

Para a Moody’s, o avanço da América Latina no mercado de minerais críticos dependerá da combinação entre estabilidade regulatória, capacidade industrial, responsabilidade socioambiental e acesso a financiamento.

Fonte: Br61, com informações da Moody’s

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