Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 12h47m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Aliados de Lula dão como selada saída de Prates e Lula convoca Haddad para reunião sobre a Petrobras

FolhaPress 07/04/2024 19:43

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Aliados do presidente Lula (PT) afirmam, sob reservas, que o destino do presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, já está selado. Para esses interlocutores, a demissão de Prates é uma questão de tempo, devendo ocorrer ainda nesta semana.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi convocado por Lula para uma reunião na noite deste domingo sobre o futuro da empresa.

Há expectativa de que Haddad interceda em favor da manutenção de Prates por temer impacto na economia e também sob o argumento de não haver justificativas técnicas para a exoneração do presidente da Petrobras, à exceção de sua personalidade e de seus rompantes nas redes sociais.

Outro argumento em prol da permanência de Prates seria o de que ele estava certo ao propor a distribuição de dividendos extraordinários aos acionistas da empresa, o que poderá ocorrer, ao menos parcialmente, no mês que vem.

Apesar dessas ponderações, colaboradores do presidente minimizam a possibilidade de dissuasão de Lula.

O presidente estaria descontente com Prates, desde o anúncio de investimentos em energia eólica no país. Em uma de suas publicações, Prates também atribuiu ao governo a decisão de não distribuir dividendos extras aos acionistas da empresa --medida que provocou perdas à Petrobras.

SESC PICASSO

Segundo colaboradores do presidente, Prates deverá ser substituído pelo presidente do BNDES, Aloysio Mercadante, com quem Lula já conversou sobre a sucessão durante uma de suas recentes viagens ao Rio.

O próprio Mercadante informou a Prates e integrantes do governo que tinha sido sondado por Lula. Mas sem que tenha sido formalmente convidado para a presidência da Petrobras.

Lula também já tinha manifestado a aliados a disposição de substituir Prates e vinha amadurecendo a ideia desde o mês passado.

Há, também entre interlocutores do presidente, quem defenda que a exoneração não ocorra em meio à fritura de Prates, que trava um embate público com os ministros das Minas e Energia, Alexandre Silveira, e da Casa Civil, Rui Costa.

CONTADOR - BONUS

Nas palavras de um influente dirigente petista, demitir Prates no calor da fritura significaria "dar legitimidade para uma prática nefasta".

Tem pesado, no entanto, seria recomendável encerrar a polêmica já.

Rumores envolvendo a demissão de Prates ganharam força após entrevista à Folha do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que admitiu haver conflito entre o seu papel e o do presidente da empresa.

Silveira foi questionado e evitou avaliar se Jean Paul Prates estaria fazendo um bom trabalho. "A avaliação da gestão do presidente da Petrobras eu deixo a cargo do presidente da República", afirmou.

Prates então teria pedido uma audiência com Lula para conversar sobre o bombardeio disparado contra ele por pessoas do próprio governo nos últimos dias. A iniciativa foi vista por auxiliares do Planalto como um ultimato e acabou desagradando.

Além de tentar evitar que a crise na petroleira cause mais danos políticos e econômicos à sua gestão, Lula cogita uma reforma ministerial, que não estava programada, para conter problemas de governabilidade.

Anuncio - Raimundo - Bonus

No momento, o governo vive uma tentativa de reverter a tendência de queda na aprovação de Lula, que busca soluções para ajustar uma comunicação criticada e tem pressionado ministros pela entrega de resultados.

Na semana passada, a Folha ouviu oito ministros e três secretários, que relataram fissuras entre os integrantes do governo nos últimos dias.

O chefe da Casa Civil, Rui Costa, figura entre os mais criticados e foi apontado por colegas da equipe ministerial como a origem de vazamentos na Esplanada. Mas as divergências e disputas vão além.

Incitado a tecer comentários sobre a coordenação do governo, a cargo da Casa Civil, um ministro chegou a afirmar, sob reserva, que a reportagem seria uma folha em branco se esse fosse o tema principal. Na sua opinião, não existe gestão de governo.

A falta de contato de ministros com Lula aumentou as queixas na Esplanada, com vários deles criticando o fato de que suas propostas param no Palácio do Planalto, sem que seja possível recorrer ao presidente.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas