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Alckmin diz que integração se dá 'em avanços pontuais' em meio à 'fragmentação das relações internacionais'

FolhaPress 06/12/2023 12:48

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou em discurso na Cúpula do Mercosul que, em um momento da "fragmentação das relações internacionais", a integração se dá "no dia a dia com avanços pontuais".

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A fala foi feita nesta quarta-feira (5), durante a reunião do Conselho do Mercado Comum do bloco, na qual Alckmin participa como representante brasileiro junto com os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do Planejamento, Simone Tebet (MDB).

A declaração do vice-presidente é feita em um momento de esfriamento das negociações para fechar o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia. Havia a expectativa de que o pacto fosse anunciado ao fim da cúpula, mas o Brasil já descarta que isso aconteça.

No último sábado (2), o presidente da França, Emmanuel Macron, contrário ao pacto, afirmou que os termos estão "antiquados".

"Entendemos que no momento de aparente fragmentação das relações internacionais, o caminho da integração continua a ser relevante e pode dar resultados concretos. A integração não se faz apenas com grandes gestos e grandes acordos. Faz-se também no dia a dia com avanços pontuais que destravam barreiras e criam oportunidades", discursou Alckmin.

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A fala do vice-presidente, sobre uma eventual fragilização das relações entre os países, também encontram eco nas dúvidas do bloco de como se posicionará o novo governo argentino a respeito do Mercosul.

O presidente eleito, Javier Milei, que toma posse neste domingo (10), fez críticas ao bloco durante a campanha argentina. E a delegação do país chegou esvaziada à cúpula, sem a presença do ministro da Economia, Sergio Massa, derrotado na eleição, e do chanceler Santiago Cafiero. Os dois eram previstos para a reunião de hoje, mas desmarcaram sua participação.

Alckimin, no entanto, mostrou-se otimista no discurso sobre as negociações do acordo Mercosul-União Europeia. Ele afirmou que houve "avanços importantes" nas conversas entre os líderes dos blocos.

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"Destaco os compromissos de ambos os lados em prol de um entendimento equilibrado no futuro próximo e a partir das bases sólidas que construímos nos últimos meses de engajamento intenso", disse.

Durante a cúpula, que termina nesta quinta-feira (7), haveria uma reunião presencial entre os membros do Mercosul para discutir sobre o acordo com o bloco europeu. No entanto, com o esfriamento das negociações, o encontro foi desmarcado e será feito virtualmente. Representantes dos países sul-americanos preferem aguardar qual será a posição do governo Milei. A futura chanceler argentina, Diana Mondino, afirmou que pretende fechar o acordo "algum dia".

Mesmo sem o anúncio do pacto com a União Europeia, o vice-presidente prometeu resultados concretos durante a Cúpula do Mercosul, que acontece no Rio de Janeiro. Como exemplo, ele citou a assinatura do acordo do bloco sul-americano com a Singapura, o primeiro em 12 anos com um país fora do bloco.

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"Teremos a assinatura do acordo de livre-comércio com Singapura, que envolve não apenas mercadorias, mas favorece investimentos, fluxos de tecnologia, serviços, movimento de pessoas e segurança jurídica. Porta de entrada para a Ásia e para a ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático). Este será o primeiro acordo de livre-comércio do Mercosul em mais de 10 anos e o primeiro com o país asiático", afirmou.

Por fim, Alckmin também defendeu o aumento do comércio entre os países do Mercosul e afirmou que o bloco tem potencial para se tornar uma potência na área energética e na agenda do comércio sustentável.

"No Mercosul, [a densidade do comércio intrabloco é de] apenas 10%. O comércio intrabloco tem crescido, mas precisamos mudar esse quadro. O Mercosul é importante para o Brasil, nosso quarto maior parceiro comercial. Além disso, cerca de 80% da pauta comercial é de produtos manufaturados e semimanufaturados. Nossos parceiros do bloco são essenciais no projeto de neoindustrialização".

O vice-presidente completou: "Somos certamente uma potência na área energética e podemos dar um salto na exploração, transporte e agregação de valor dos nossos recursos naturais. É fundamental avançar na agenda do comércio com sustentabilidade".

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