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Alckmin afirma que tarifaço de Trump afeta 3,3% das exportações brasileiras e aposta em novos acordos comerciais

Vitória News 23/08/2025 19:20

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou neste sábado (23) que o Brasil vai superar a crise comercial provocada pelas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos (EUA) e ressaltou que a dependência brasileira do mercado norte-americano diminuiu nas últimas décadas. Durante um debate sobre conjuntura política promovido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), em Brasília, Alckmin explicou que o impacto direto do chamado “tarifaço” atinge uma fatia restrita da pauta exportadora.

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Segundo ele, apenas 3,3% das exportações brasileiras são afetadas pelas sobretaxas. “Vai passar. Na década de 1980, era 24% a nossa exportação para os EUA, praticamente um quarto das exportações brasileiras. Hoje, é 12%. E o que está afetado é 3,3%. Isso é o que está afetado no tarifaço”, afirmou.

Setores mais afetados pelas tarifas

Alckmin destacou que o impacto recai principalmente sobre indústrias de manufatura, como máquinas, equipamentos, calçados e produtos têxteis. Ele explicou que produtos alimentícios têm maior facilidade de redirecionamento para outros mercados, enquanto bens industrializados enfrentam mais obstáculos.

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“Indústria de máquinas, equipamentos, calçados e têxtil. Esses são os que sofrem mais. Porque comida, [como] carne, se eu não vendi lá, eu vou ter outros mercados. Não vai cair o mundo. Café, se eu não vendi lá, vou vender em outro lugar. Agora, produto manufaturado é mais difícil de você realocar. Acaba realocando, mas demora um pouco mais”, pontuou o vice-presidente.

Percentual de produtos livres da sobretaxa

O governo brasileiro tem buscado reduzir os efeitos da medida junto à Casa Branca. Segundo Alckmin, 42% dos produtos exportados pelo Brasil não foram afetados pela alíquota de 50%, enquanto 16% estão sujeitos a tarifas aplicadas também a outros países, como ocorre com aço, alumínio e cobre.

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“Não vamos desistir de baixar essa alíquota e tirar mais produtos”, reforçou o vice-presidente, ressaltando que a negociação segue ativa para ampliar a lista de exceções.

Estratégia para diversificação de mercados

Como alternativa à dependência dos Estados Unidos, Alckmin afirmou que o Brasil intensificará negociações de novos acordos comerciais para ampliar a presença internacional da indústria nacional. Entre as iniciativas em andamento, estão:

Acordo Status Países/Blocos envolvidos
Mercosul-União Europeia Previsão de assinatura até o fim de 2025 Alemanha, França, Espanha, Itália, entre outros
Mercosul-EFTA Em fase de tratativas Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça
Mercosul-Singapura Negociação avançada Singapura
Mercosul-Emirados Árabes Unidos Negociação aberta Emirados Árabes Unidos

O vice-presidente disse que esses acordos poderão abrir oportunidades para escoar a produção nacional e minimizar impactos das tarifas norte-americanas.

Medidas internas para apoiar exportadores

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O governo federal também anunciou um pacote de ações para reduzir os prejuízos aos setores afetados, incluindo:

  • Abertura de novas linhas de crédito para empresas atingidas;

  • Suspensão de tributos sobre insumos importados por meio do regime de drawback;

  • Aumento da restituição de tributos federais para compensar perdas no comércio exterior.

Segundo Alckmin, essas medidas têm o objetivo de garantir a competitividade dos exportadores brasileiros no mercado global.

Disputa na OMC e possíveis ações nos EUA

No cenário internacional, o Brasil entrou com uma reclamação formal na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas por Washington. Alckmin afirmou ainda que o caso pode avançar para os tribunais norte-americanos, caso não haja solução consensual.

“Você não pode usar política regulatória por razões partidárias, políticas”, disse o vice-presidente, criticando a postura do governo dos EUA.

Fone: ABr

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