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Economia

Ainda sob ataque, Atacadão troca de cidade e vai inaugurar 1ª loja na Grande Paris

FolhaPress 08/01/2024 10:19

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Após ser "expulso" de uma cidade em 2023, o grupo Carrefour vai abrir a primeira loja da marca brasileira Atacadão na França no primeiro semestre deste ano. A bandeira vai estrear em Aulnay-sous-Bois, uma pequena cidade que faz parte da Grande Paris, a 16 km do marco zero da capital.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A loja foi chamada de "projeto miserabilista" em um manifesto lançado por um político local, mas o documento parece não ter sensibilizado a cidade —apenas 650 moradores assinaram, no esforço inicial de alcançar mil nomes.

Em março do ano passado, o Carrefour desistiu de abrir um Atacadão em Sevran, também na Grande Paris, após o prefeito criar um abaixo-assinado contra a instalação do mercado e chamar a ideia de "desastrosa".

Na vizinha Aulnay-sous-Bois, no entanto, o prefeito Bruno Beschizza, do partido de direita Republicanos, abraçou a ideia. Nem o prefeito nem o Carrefour na França responderam a pedidos de entrevista.

"A situação atual é que estão em andamento procedimentos de demissão e de reclassificação e também estão em andamento negociações entre o Carrefour e os sindicatos", afirmou à Folha o professor Mehdi Chtioui, responsável local pelo partido de esquerda França Insubmissa.

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"Diante disso, os funcionários se cansaram de brigar e estão preferindo negociar amigavelmente", disse Chtioui. De acordo com reportagens da mídia francesa, o investimento necessário para a transformação da loja Carrefour em um Atacadão é de € 10 milhões (R$ 53 milhões).

Da mesma forma que aconteceu em Sevran, houve um abaixo-assinado online lançado em Aulnay-sous-Bois. O texto-manifesto foi criado justamente por Mehdi Chtioui, em julho de 2023, quando os primeiros rumores da chegada do Atacadão passaram a ser comentados na pequena cidade.

No documento, Chtioui lista problemas como eliminação das prateleiras em favor da apresentação em paletes, qualidade e diversidade menores dos produtos, menores salários e prejuízo a compradores que viajam em transporte público, uma vez que a marca prioriza venda de grandes volumes.

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"Nós, deputados, governantes eleitos e forças políticas de esquerda, funcionários e moradores, lançamos uma petição para dizer NÃO AO ATACADÃO!", começava o texto.

Em seu final, concluía: "Aulnay e os habitantes de Seine-Saint-Denis [departamento administrativo que engloba vários municípios] merecem mais do que este projeto miserabilista e de baixo custo, que ameaça o emprego, que abre caminho à utilização exclusivamente de automóvel, degrada a oferta comercial e impõe um modelo de consumo que vai contra as questões sanitárias e ecológicas".

Questionado sobre a razão de o Atacadão não ser bom para Aulnay-sous-Bois, Chtioui avalia que "essa marca vende a granel, o que não é adequado para uma população de baixa renda e muitas vezes sem carro". "Passaremos de 60 mil referências de produtos para 11 mil referências de produtos. Uma perda de escolha. Finalmente, os produtos serão de qualidade inferior."

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Segundo um assessor do prefeito de Aulnay-sous-Bois, o Atacadão é "uma solução alternativa e contemporânea ao modelo decadente dos hipermercados" e se adaptará "à área de influência específica de Aulnay, uma localidade que conseguiu preservar um rico tecido comercial e que tem uma grande diversidade social, ao contrário de Sevran".

A ideia de levar a marca brasileira à Europa foi uma das metas apresentadas pelo CEO mundial do grupo, Alexandre Bompard, para o ano de 2023.

Na ocasião, ele disse que a marca, que tem o formato mais agressivo de descontos do grupo, "funciona muito bem no Brasil". E forneceu detalhes: "No Atacadão, não vamos ultrapassar 10 mil produtos, contra até 60 mil nos hipermercados, e proporemos preços muito baixos".

Maior atacarejo do Brasil em número de lojas, a rede fechou 2022 com 374 unidades no Brasil, um incremento de 50% em relação a 2021. Estima-se que a marca, comprada em 2007 pelo Carrefour por US$ 1,1 bilhão, responda por cerca de 70% do faturamento do grupo no país.

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