O agronegócio brasileiro voltou a surpreender no início de 2025 ao registrar, no primeiro trimestre, o maior contingente de ocupados desde o início da série histórica: 28,5 milhões de trabalhadores. Esse resultado, divulgado no boletim Mercado de Trabalho no Agronegócio, do Cepea e da CNA, reforça o peso do setor na economia nacional, que respondeu por 26,23% de todas as ocupações formais do país.
Recorde histórico e fatores de crescimento
O crescimento do número de trabalhadores foi puxado pelos três grandes segmentos que compõem o agronegócio:
Insumos: alta de 10,2%, com destaque para a indústria de rações, que ampliou contratações para atender à crescente demanda da pecuária.
Agroindústria: expansão de 4,8%, impulsionada pelo setor de etanol, moagem de grãos, produtos amiláceos e abate de animais.
Agrosserviços: aumento de 2,4%, refletindo o fortalecimento de serviços de logística, manutenção de máquinas e assistência técnica no campo.
O resultado histórico marca um novo patamar para o agronegócio, cujo recorde anterior de ocupação havia sido de 28,3 milhões em 2023 .
Comparação com 2024 e rendimento dos trabalhadores
Em relação ao 1º trimestre de 2024, o setor agregou 171,1 mil novos postos (alta de 0,6%). Frente ao 4º trimestre de 2024, o aumento foi ainda mais expressivo: 312,5 mil vagas (1,1%), concentradas principalmente em agrosserviços.
Além do emprego, os rendimentos também apresentaram avanço:
+0,4% na comparação com o 4º trimestre de 2024;
+2,2% frente ao 1º trimestre de 2024.
Esse crescimento reflete não apenas o maior volume de contratações, mas também o aprofundamento da formalização e valorização salarial no setor.
Perfil da força de trabalho: formalização, qualificação e protagonismo feminino
A publicação do Cepea/CNA destaca mudanças estruturais no perfil dos trabalhadores do agronegócio:
Formalização em alta: aumentou a participação de empregados com carteira assinada e empregadores formais, reforçando a estabilidade e os benefícios trabalhistas.
Nível de instrução: cresce o número de postos ocupados por profissionais com ensino médio e superior, resultado de programas de capacitação e adoção de tecnologias de precisão.
Mulheres no campo: a participação feminina avançou, contribuindo para diversificar e qualificar ainda mais a mão de obra.
Perspectivas e desafios
Com o setor respondendo por mais de um quarto da força de trabalho nacional, o agronegócio segue como motor de arrecadação e desenvolvimento regional. No entanto, analistas apontam desafios como a necessidade de aprimorar infraestrutura logística, ampliar investimentos em inovação e atender às demandas por sustentabilidade e bem-estar no campo.