Agricultores familiares podem buscar descontos em débitos rurais, enquanto frentes parlamentares defendem investimentos em portos, ferrovias e infraestrutura
O agronegócio brasileiro tem duas frentes de atenção nesta quarta-feira: a renegociação de dívidas para agricultores familiares e a construção de uma agenda nacional para reduzir gargalos logísticos que encarecem o transporte da produção.
Na Amazônia Legal, agricultores familiares já podem aderir ao Desenrola Rural por meio do Banco da Amazônia. O programa foi criado para facilitar a regularização de dívidas, recuperar o acesso ao crédito rural e permitir que pequenos produtores voltem a investir nas propriedades.
A iniciativa oferece condições especiais de renegociação, com descontos que podem chegar a 80%, além de possibilidade de prorrogação ou parcelamento dos débitos, conforme as regras de cada contrato. A adesão pode ser feita até 20 de dezembro de 2026.
O programa é voltado a agricultores enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Também podem ser atendidos pescadores artesanais, povos e comunidades tradicionais e cooperativas da agricultura familiar, de acordo com as condições previstas para cada operação.
Com a regularização, o produtor pode recuperar o acesso a financiamentos para custeio, compra de sementes, insumos, equipamentos e tecnologias voltadas ao aumento da produção. Para solicitar a análise, o agricultor deve procurar uma agência do Banco da Amazônia ou preencher o formulário eletrônico disponível na página oficial da instituição.
Logística também entra no centro da pauta
Além do crédito rural, a infraestrutura voltou ao debate nacional do setor. A Frente Parlamentar da Agropecuária e a Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos assinaram a Carta de Compromissos do Movimento AgroPorto, iniciativa voltada à modernização da logística brasileira.
O documento reúne diretrizes para melhorar acessos portuários, ampliar a integração entre modais, dar mais segurança jurídica aos investimentos, modernizar o licenciamento ambiental e expandir a infraestrutura portuária.
O movimento defende que a infraestrutura seja tratada como política de Estado, com planejamento de longo prazo e previsibilidade para atrair investimentos públicos e privados. Até as eleições de 2026, a organização pretende formular uma Agenda Brasil para a Infraestrutura, ampliar a coalizão parlamentar e apresentar propostas a candidatos à Presidência da República.
O debate ocorre em um cenário de pressão sobre os custos logísticos. Segundo levantamento citado pelo Movimento AgroPorto, o Brasil deve acumular R$ 3,3 bilhões em custos extras em 2026 pelo uso do modal rodoviário em corredores que poderiam ser atendidos por ferrovias. A estimativa equivale a uma perda média de R$ 106 por segundo com ineficiências na infraestrutura.
Sem novas cotações diárias do Cepea nesta quarta-feira, crédito, endividamento e logística ganham peso na leitura do setor. A retomada do acesso ao financiamento e a redução dos custos de transporte são pontos considerados essenciais para melhorar a competitividade do agro brasileiro.
Com informações do Brasil 61.