Setor mantém saldo positivo no mercado formal, mas ritmo de contratações desacelera em relação a 2025; Sudeste concentrou 62% das novas vagas no mês.
O agronegócio brasileiro criou 30.518 empregos formais em junho de 2026, resultado de 243.575 admissões e 213.057 desligamentos. Apesar do saldo positivo, o desempenho ficou abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado, quando foram abertas 38.005 vagas.
Os números mostram que a geração de empregos continua espalhada por grande parte do país. Entre os 4.715 municípios com movimentação no mercado de trabalho ligado ao agro, 2.330 terminaram junho com saldo positivo e 2.029 apresentaram redução no número de postos.
Matão, em São Paulo, liderou a criação de vagas no mês, com saldo de 2.722 empregos. Bebedouro, também no interior paulista, aparece em seguida, com 1.345 postos, enquanto União, no Piauí, registrou 1.123 novas vagas.
Entre as atividades, o cultivo de laranja foi o principal responsável pelas contratações em junho, com saldo de 5.397 postos distribuídos por 298 municípios.
O café aparece logo depois, com 4.630 novos empregos em 464 cidades. Os serviços relacionados à preparação de terreno, cultivo e colheita criaram outras 3.483 vagas, enquanto a soja respondeu por 2.892 postos.
No acumulado de 2026, porém, o café assume a liderança entre as atividades do setor. Foram 29.203 empregos criados em 663 municípios durante o primeiro semestre.
A fabricação de álcool ocupa a segunda posição no ano, com saldo de 11.910 vagas, seguida pelo abate de aves, com 10.888 empregos.
O desempenho do café também ajudou a impulsionar o mercado de trabalho no Sudeste, região que concentrou 62% de todas as vagas abertas pelo agro em junho.
Foram 18.894 novos empregos na região, que também respondeu por 41,4% das admissões do setor no país. Somente o cultivo de café criou cerca de 4,4 mil postos no Sudeste, enquanto a laranja respondeu por aproximadamente 5,2 mil.
Minas Gerais liderou a geração de empregos entre os estados, com saldo de 12.158 vagas, resultado fortemente associado à cafeicultura. São Paulo ficou em segundo lugar, com 9.830 novos postos, impulsionado principalmente pela produção de laranja.
O Centro-Oeste criou 8.267 empregos em junho, seguido pelo Nordeste, com 5.973, e pelo Norte, com 572 vagas.
O Sul foi a única região com saldo negativo, registrando fechamento de 3.188 postos. As maiores perdas estiveram relacionadas ao cultivo de maçã e ao processamento industrial do fumo.
Entre as atividades com redução de empregos no país, a fabricação de calçados de couro eliminou 1.627 vagas em junho, enquanto o cultivo de maçã registrou fechamento de 1.042 postos.
No acumulado do ano, a maior retração ocorreu na fabricação de açúcar, que perdeu 13.462 empregos.
Os pequenos municípios tiveram participação decisiva nas contratações. Cidades de menor porte concentraram 50,9% das admissões do agro em junho, com 124.074 trabalhadores contratados.
Municípios de médio porte responderam por 34,6% das admissões, enquanto as grandes cidades concentraram 14,5%.
Apesar do desempenho positivo de junho, os números apontam desaceleração na participação do agronegócio na geração de empregos formais do país.
No primeiro semestre de 2026, o setor acumulou cerca de 90,2 mil novos postos, correspondentes a 9,8% de todas as vagas formais criadas no Brasil. Em 2025, essa participação havia alcançado 14,8%.
O resultado mostra que o agro continua sendo importante gerador de empregos, especialmente em municípios menores e regiões produtoras de café e laranja, mas perdeu participação relativa na expansão do mercado formal neste ano.