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Acreditamos que Brasil e EUA vão chegar a um acordo sobre sistema de cotas para o aço, diz presidente da ArcelorMittal

FolhaPress 14/03/2025 13:49

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O presidente da ArcelorMittal Brasil, Jefferson de Paula, afirmou que o governo Lula (PT) está negociando com os Estados Unidos um novo sistema de cotas para exportação do aço brasileiro diante das taxas impostas pelo presidente Donald Trump.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A ideia é repetir o modelo adotado em 2018, quando os americanos impuseram um limite para a importação de aço brasileiro que ficou fora da tributação de 25%. O Brasil é o segundo maior exportador de aço para os americanos.

"Acreditamos que eles [governos do Brasil e dos EUA] vão chegar a um acordo, porque em 2018 foi a mesma coisa, nós mostramos que os EUA precisam importar aço semiacabado. Das 5,6 milhões de toneladas que eles importaram no ano passado, 3,5 milhões vieram do Brasil", afirmou o executivo nesta sexta-feira (14) em evento de expansão da unidade da empresa em Sabará (MG).

Naquele ano, foram definidas cotas de exportação de até 3 milhões e meio por ano de placas e mais 680 mil toneladas de produtos que ficaram fora da taxação de 25%. Como resultado, as siderúrgicas brasileiras ampliaram fortemente as vendas para os Estados Unidos no período.

A Arcelor está entre as empresas nacionais mais impactadas pelas novas tarifas. Parte de suas exportações aos Estados Unidos é feita via envio de aço semiacabado produzido nas usinas da companhia no Espírito Santo e no Ceará para a Calvert, siderúrgica no Alabama de propriedade da própria Arcelor.

SESC PICASSO

"Desde 2018 o Brasil não descumpriu um grama [do limite]. Nós estamos cumprindo o que nós acordamos com o governo americano. Por causa disso, estamos em negociações e acreditamos que vamos acabar chegando a um acordo que seja bom para as duas partes", disse o presidente da companhia no Brasil.

Ele ainda afirmou que tem estado em negociações com os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Geraldo Alckmin (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), que teve reuniões com representantes do governo americano.

CONTADOR - BONUS

Questionado sobre o assunto, o governador de Minas, Romeu Zema, que também esteve na cerimônia em Sabará, evitou criticar a medida de Trump, cuja eleição celebrou nas redes sociais.

O governador preferiu reforçar críticas ao governo Lula ao engrossar demanda do setor siderúrgico para a taxação do aço que é importado da China.

"Todos os países tributam o aço subsidiado que vem da Ásia em 25%, aqui no Brasil se paga um Imposto de Importação muito menor", disse Zema.

"Parece que aqui nós estamos querendo reinventar a rota. É muito triste alguém achar que sabe mais do que o resto do mundo. Nós temos aqui, em alguns momentos, um governo que pensa dessa maneira", completou o governador, que tem reforçado nas últimas semanas uma posição de antagonismo ao presidente Lula.

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