Micro e pequenas empresas já representam mais da metade dos negócios apoiados pela ApexBrasil e acordo prevê mecanismos específicos para ampliar participação no comércio com a Europa
O Acordo Mercosul-União Europeia pode ampliar a participação de micro, pequenas e médias empresas brasileiras no comércio internacional, mas o aproveitamento das novas oportunidades dependerá de capacitação, acesso à informação e adaptação às exigências do mercado europeu.
O tema foi discutido em Brasília durante o evento “MPMEs no Acordo Mercosul-União Europeia: da Norma à Implementação”, promovido pelo Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP).
Representantes brasileiros e europeus debateram exigências regulatórias, ferramentas de apoio à exportação e formas de reduzir as dificuldades enfrentadas pelos pequenos negócios para acessar mercados externos.
A diretora de Negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Maria Paula Velloso, afirmou que o acordo deve ser analisado também como instrumento de internacionalização e desenvolvimento produtivo.
Segundo ela, as novas regras já começam a produzir efeitos práticos. A executiva citou o primeiro embarque de uvas brasileiras realizado com tarifa zero no âmbito da desgravação tarifária.
Pequenas empresas são maioria entre atendidas pela ApexBrasil
Até junho de 2026, a ApexBrasil havia apoiado 8.372 micro e pequenas empresas, equivalentes a 55,8% de todas as empresas atendidas pela agência no período.
No Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), a participação dos pequenos negócios também é majoritária. Em 2025, 2.250 empresas atendidas eram micro ou pequenas, correspondendo a 65% do total.
O acordo comercial dedica uma parte específica às pequenas e médias empresas. O Capítulo 14 prevê mecanismos para ampliar o acesso à informação e reduzir barreiras que podem dificultar a participação desses negócios nas relações comerciais entre Mercosul e União Europeia.
Regras ainda representam desafio
Na avaliação do chefe da Seção de Comércio da Delegação da União Europeia no Brasil, Maurizio Cellini, a abertura jurídica de um mercado não garante, por si só, que as empresas consigam vender seus produtos.
Para isso, é necessário identificar oportunidades, compreender as regras, preparar produtos e serviços, encontrar parceiros comerciais e concluir as operações.
As dificuldades podem ser maiores para empresas de menor porte, que possuem menos estrutura para lidar com exigências técnicas, formulários, tarifas e regulamentações específicas.
Diferentes níveis de preparação
A gerente de Competitividade da ApexBrasil, Clarissa Furtado, ressaltou que pequenas e médias empresas se encontram em diferentes estágios de internacionalização.
Enquanto algumas ainda precisam de preparação básica para começar a exportar, outras já atuam no exterior, inclusive por comércio eletrônico, e demandam apoio mais especializado.
Para atender a esses diferentes perfis, a ApexBrasil mantém iniciativas em parceria com o Sebrae Nacional, além de programas de capacitação e ações voltadas à internacionalização.
Mais de 1,5 mil pequenos negócios exportaram para a UE
Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que 1.503 microempresas e microempreendedores individuais brasileiros exportaram para a União Europeia em 2025.
Juntos, esses negócios movimentaram US$ 107,5 milhões em vendas ao bloco europeu.
O desafio, segundo os participantes do encontro, é ampliar esse número e permitir que empresas menores consigam acessar as oportunidades criadas pelo novo ambiente comercial.
Apoio para começar a exportar
A ApexBrasil atua em quatro frentes principais para apoiar pequenos negócios: qualificação empresarial, promoção comercial, inteligência de mercado e expansão internacional.
Uma das portas de entrada é o PEIEX, programa que orienta empresas sobre exigências técnicas, adequação de produtos, barreiras regulatórias e preparação para o comércio exterior.
A agência também mantém cooperação com o Sebrae e participa de fóruns destinados ao desenvolvimento de políticas de acesso a mercados e estímulo à cultura exportadora.
A expectativa das instituições envolvidas é que a combinação entre redução de barreiras comerciais, capacitação e acesso a informações aumente a presença de pequenas e médias empresas brasileiras no mercado europeu.
Fonte: MEMP, ApexBrasil, Secex, MDIC e Brasil 61.