Redução de tarifas abre mercado trilionário para carnes, café, mel, frutas e produtos do agronegócio brasileiro
A implementação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia deve criar uma das maiores oportunidades de expansão internacional já abertas para o agronegócio brasileiro. Com a redução ou eliminação de tarifas para milhares de produtos, o setor agro passa a ganhar acesso privilegiado a um dos mercados mais ricos e consumidores do planeta.
O tratado prevê vantagens comerciais para cerca de 5 mil produtos do Mercosul, ampliando a competitividade das exportações brasileiras dentro de um mercado europeu estimado em aproximadamente US$ 20 trilhões.
A expectativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) é de aumento de até US$ 1 bilhão nas exportações brasileiras já nos primeiros anos do acordo, com impacto direto sobre cadeias produtivas ligadas ao campo.
Entre os setores que devem sentir os efeitos mais rapidamente estão carnes, café, mel, frutas, couro, açúcar, soja processada e produtos de maior valor agregado do agronegócio nacional.
Na avaliação do presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller, o acordo representa uma mudança estrutural para produtores rurais, cooperativas e agroindústrias brasileiras.
Segundo ele, o Brasil passa a competir em condições mais equilibradas dentro de um mercado historicamente protegido e altamente exigente em qualidade e rastreabilidade.
O cenário é considerado estratégico principalmente porque muitos concorrentes internacionais já possuíam acordos comerciais com a Europa, enquanto o Mercosul permanecia em desvantagem tarifária.
Com a nova estrutura comercial, aproximadamente 54% das exportações do Mercosul passam a entrar imediatamente na União Europeia sem cobrança de tarifas. O percentual é visto como altamente favorável ao bloco sul-americano na fase inicial do tratado.
Especialistas apontam que mesmo reduções aparentemente pequenas podem alterar completamente a competitividade internacional de determinados produtos agropecuários. Em setores de grande escala, tarifas de 3% a 7% podem representar milhões de dólares em economia logística e comercial.
Além do ganho direto nas exportações, o acordo também tende a estimular investimentos em tecnologia, rastreabilidade, sustentabilidade e industrialização do agro brasileiro, exigências cada vez mais presentes no mercado europeu.
A ApexBrasil informou que pretende intensificar ações para aproximar produtores brasileiros de compradores europeus, incluindo participação em feiras internacionais, rodadas de negócios e programas de promoção da imagem do agro nacional no exterior.
A avaliação do setor exportador é que o acordo pode consolidar o Brasil como um dos principais fornecedores globais de alimentos e produtos agroindustriais para a Europa ao longo da próxima década.