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Economia

Acompanhe a cotação do dólar nesta quarta-feira (23)

FolhaPress 23/07/2025 09:50

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar abriu próximo da estabilidade nesta quarta-feira (23), enquanto os investidores avaliam o acordo comercial entre EUA e Japão, e analisam a negociação com o Brasil

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Na noite de terça-feira (22), o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a redução da tarifa cobrada sobre os produtos japoneses de 24% para 15%. Há duas semanas, o republicano havia ameaçado aumentar a taxa para 25%.

Às 9h06, a moeda norte-americana tinha oscilação negativa de 0,05%, cotada a R$ 5,5643. Na terça-feira (22), o dólar e a Bolsa encerraram perto da estabilidade, com o mercado em compasso de espera por novas informações sobre os acordos comerciais entre EUA e vários países, incluindo o Brasil, que passará a ter sobretaxa de 50% a partir de 1º de agosto.

A moeda norte-americana fechou com uma variação positiva de 0,03%, cotada a R$ 5,566. Já a Bolsa caiu 0,09%, a 134.035 pontos, puxada para cima por Vale e Petrobras, mas com Itaú fazendo o contrapeso negativo.

Tanto no Brasil quanto no exterior, os mercados aguardaram por novidades sobre as negociações comerciais com os norte-americanos. Não houve um gatilho forte o suficiente para que os agentes alterassem suas posições.

O caso do Brasil segue sem avanços claros. A dez dias do prazo final para negociações, o governo Lula e o empresariado já estudam algumas formas de reagir à medida do governo americano.

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Na perspectiva de Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, o Brasil deve procurar outros parceiros comerciais caso não consiga um acordo com os EUA.

"O mercado não está gostando desse cenário de indefinição. Trump sempre jogou tarifas para cima e negociou, e é isso que se esperava que acontecesse aqui, o que não está ocorrendo. E nesse cenário as ações de commodities e agro são as que mais devem sofrer", afirmou.

As tarifas extras já impostas por Trump derrubaram a venda de carne bovina brasileira para os americanos em 80% em menos de três meses.

Na cena política, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está no centro do atrito entre EUA e Brasil, tem 24 horas para prestar esclarecimentos, por meio de seus advogados, ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes sobre o que o magistrado classificou como descumprimento das medidas cautelares impostas na semana passada.

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Na sexta passada, Moraes determinou que Bolsonaro terá de usar uma tornozeleira eletrônica, está proibido de usar as redes sociais e deve ficar recolhido em domicílio entre 19h e 6h de segunda a sexta e em tempo integral nos fins de semana e feriados. Moraes também proibiu a transmissão ou veiculação de áudios e vídeos de entrevistas do ex-presidente nas redes sociais.

Em resposta, os EUA restringiram vistos para autoridades do Judiciário brasileiro e seus familiares imediatos, citando novamente objeções aos processos legais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A dificuldade do Brasil em negociar passa pelo fato de Trump estar exigindo como contrapartida o fim do julgamento de Bolsonaro no STF por tentativa de golpe de Estado. A questão é do campo jurídico, e não do comercial.

Investidores temem que tudo isso possa levar Trump a adotar uma postura mais agressiva em relação às tarifas aplicadas ao Brasil.

Além dos desdobramentos das negociações comerciais com os norte-americanos, o mercado doméstico segue cauteloso aguardando as decisões de juros nos EUA e no Brasil, que ocorrem na próxima quarta-feira (30), na chamada "superquarta".

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"O mercado está andando muito de lado nesses dias sem grandes indicadores econômicos e vai ficar muito focado em tentar entender as sinalizações dos bancos em relação à próximas decisões de juros", afirmou Santana, da casa de análise Top Gain.

No cenário internacional, fontes disseram à Reuters nesta terça que as perspectivas de um acordo comercial provisório entre a Índia e os EUA antes de 1º de agosto diminuíram. Já o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, disse que usará todo o tempo disponível para fechar um acordo com os EUA.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse que se reunirá com seu colega chinês na próxima semana e discutirá o que provavelmente será uma prorrogação do prazo —neste caso, de 12 de agosto— para tarifas mais altas para a China. Diante desse cenário, os principais índices asiáticos fecharam em alta.

Bessent disse ainda que os EUA estão prestes a anunciar "uma série de acordos comerciais" com outros países.

Já na Europa, as ações fecharam em baixa nesta terça-feira com a redução das perspectivas de um acordo comercial entre os EUA a União Europeia. Trump havia ameaçado impor tarifas de 30% sobre produtos europeus se nenhum acordo fosse assinado antes do prazo final de 1º de agosto.

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