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Voz das Comunidades, que colocou a favela no centro da notícia, completa 20 anos

FolhaPress 23/08/2025 10:13

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Voz das Comunidades, um dos maiores veículos de comunicação das favelas do Rio de Janeiro, completou 20 anos no último dia 15.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Rene Silva, fundador do jornal comunitário, imprimiu aos 11 anos o primeiro exemplar que, a princípio, fazia parte de um projeto da escola pública onde estudava no Complexo do Alemão.

Silva já era um voraz leitor de jornais, mas "nunca via a favela sendo representada".

Sentia falta de ler boas notícias ou a divulgação de projetos sociais e culturais realizados na comunidade. "Na maioria das vezes, o que eu via no noticiário era negativo: violência, tráfico de drogas, mortes. Aquilo não me representava. Sempre achei que temos aqui um lugar de potência, de juventude, de um monte de coisa bacana", relata à Folha.

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Foi então que, ainda na pré-adolescência, pediu para fazer parte do jornal escolar e três meses depois iniciou o próprio jornal, tendo o apoio da diretora e dos professores que revisavam o material antes da impressão e lhe davam acesso a computador e internet. Os primeiros 200 exemplares foram cópias feitas em uma papelaria do original impresso na escola.

Com o tempo, a tiragem mensal passou para 1.000 graças à parceria de uma gráfica e chegou até os atuais 15 mil exemplares entregues gratuitamente todos os meses para os moradores tanto do Alemão quanto de outras comunidades, como Morro do Vidigal, Complexo da Penha e Cidade de Deus.

"Não limitamos a cobertura ao Complexo do Alemão. Então se sai matéria sobre aquela comunidade naquele mês entregamos lá também."

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A logística para que o jornal chegue de porta em porta, de mão em mão, nos pontos de ônibus e em outros pontos estratégicos fica por conta dos chamados multiplicadores.

"Os moradores ficam muito felizes de se verem nesse espaço, ler histórias de pessoas que estão no seu dia a dia, profissionais do local."

Aos poucos, o jornal que era feito apenas por Silva foi tomando corpo. Primeiro, chegou o irmão dele, Renato, depois primos e outros adolescentes. "Éramos crianças, mas todo mundo queria participar. Um queria fotografar, outro escrever."

A Redação, com sede no Alemão, conta hoje com a colaboração de 25 profissionais. O veículo tem também um braço social, a ONG Voz das Comunidades, com um banco de 300 voluntários que ajudam na realização de ações sociais para os moradores em datas como Natal e Dia das Crianças. "Atuamos fortemente durante a pandemia de Covid-19."

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Além do impresso, o Voz tem o portal de notícias no qual é abordado o dia a dia da comunidade. "Falamos sobre operação policial, esgoto aberto, ruas esburacadas, problemas sociais", diz.

Nas redes sociais o veículo soma mais de 1 milhão de seguidores.

"Com a credibilidade que conquistamos durante esses anos, o Voz se tornou referência para outros veículos que pautam histórias positivas, muitas delas sobre projetos sociais e culturais que acontecem nas comunidades."

Entre os planos para o futuro estão a expansão do jornal para alcançar cada vez mais favelas e a criação de uma escola de comunicação para que crianças, jovens e adolescentes comecem a pensar em possibilidades de carreiras. "Queremos que as crianças possam brincar de comunicação, de fazer jornal, experimentar fazer algo como um dia eu pude fazer."

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