Vitória conquistou o primeiro lugar no Brasil em acesso da população a bibliotecas e concertos, de acordo com a pesquisa inédita Cultura nas Capitais. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (10), no Palácio Anchieta, mostra que 35% dos moradores da capital capixaba frequentaram bibliotecas e 14% foram a concertos de música erudita no último ano — índices bem acima da média nacional.
No total, a cidade aparece acima da média em 10 das 14 atividades culturais analisadas e dentro da média nas demais.
O estudo, considerado o mais abrangente já realizado no Brasil sobre o tema, ouviu 19,5 mil pessoas em todas as capitais e no Distrito Federal. Em Vitória, foram 600 entrevistados de diferentes regiões.
Realizada pela JLeiva Cultura & Esporte, com patrocínio do Itaú e do Instituto Cultural Vale por meio da Lei Rouanet, a pesquisa também teve a parceria da Fundação Itaú. A coleta foi feita pelo Datafolha.
Segundo o diretor da pesquisa, João Leiva, o levantamento evidencia a influência direta da escolaridade e da renda no acesso cultural:
“A pesquisa deixa claro como o acesso aumenta conforme a renda e a escolaridade. Mostra também que idosos são os mais excluídos das atividades culturais.”
A pesquisa investigou 14 atividades culturais, considerando se o morador participou ao menos uma vez nos 12 meses anteriores. Entre elas:
| Atividade cultural | Vitória | Média nacional | Posição |
|---|---|---|---|
| Bibliotecas | 35% | 25% | 1º lugar |
| Concertos | 14% | 8% | 1º lugar |
| Locais históricos | 56% | - | 2º lugar |
| Shows de música | 47% | - | 2º lugar |
| Dança | 31% | - | 2º lugar |
| Saraus | 16% | - | 2º lugar |
| Museus | 26% | 27% | Dentro da média |
| Teatro | 26% | 25% | Dentro da média |
| Feira do livro | - | - | Dentro da média |
| Circo | - | - | Dentro da média |
Além disso, Vitória tem o menor índice de pessoas que nunca foram a concertos: apenas 55%, contra percentuais bem maiores em outras capitais.
João Leiva destaca que o perfil educacional da capital capixaba ajuda a explicar os números:
“Vitória está entre as capitais com maior percentual de moradores que estão ou já passaram pelo ensino superior. Como a educação é o fator que mais influencia o acesso a atividades culturais, isso ajuda a explicar os bons resultados da cidade.”
Outro dado relevante é a proximidade dos locais culturais. Quase metade dos moradores (42%) afirmam praticar atividades perto do bairro onde moram, bem acima da média nacional (30%). Já apenas 39% disseram buscar atividades em regiões mais distantes, contra 55% no restante do país.
Em Vitória, 130 espaços culturais foram citados pelos entrevistados. Os parques e praças aparecem no topo da lista (22%), com destaque para o Parque Moscoso, lembrado por 7% da população.
Também se destacam:
Espaços religiosos (7%), com ênfase no Convento da Penha, em Vila Velha, citado por 3%;
Sistema S (6%), principalmente o Sesc Glória, referência cultural na capital.
Segundo Leiva, a diversidade de locais impressiona:
“Em praticamente todas as capitais as praças e os parques são muito citados. Mas a variedade de menções em Vitória realmente impressiona.”
A visitação a museus na capital ficou em 26%, alinhada com a média nacional (27%). Mas o dado que chama a atenção é o interesse reprimido: 29% dos moradores não frequentaram museus no último ano, mas manifestaram alto interesse em ir.
Entre os que frequentam, 51% buscam aprendizado, índice superior à média nacional (44%). Já entre os que não vão, os principais obstáculos são falta de tempo (40%) e falta de informação (9%), este último o maior percentual entre todas as capitais.
No teatro, 26% dos moradores de Vitória afirmaram ter ido a apresentações no período analisado, número praticamente igual à média brasileira (25%). Os gêneros mais assistidos foram:
Peças para público adulto (60%);
Peças musicais (57%);
Teatro infantil (54%);
Stand-up comedy (30%).
Os resultados confirmam Vitória como uma das capitais mais conectadas à cultura no Brasil, tanto pelo alto índice de escolaridade dos moradores quanto pela proximidade e diversidade dos espaços culturais.
O levantamento abre espaço para políticas públicas de incentivo ao acesso e para a valorização de museus, bibliotecas e demais locais de cultura que já fazem parte do cotidiano dos capixabas.