Exposição reúne fotografias recuperadas de negativos de vidro e mostra cenários desaparecidos da capital antes dos grandes aterros e da expansão urbana
Uma Vitória ainda cercada pelo mar em áreas hoje totalmente urbanizadas, com construções que desapareceram e paisagens transformadas ao longo de mais de um século, pode ser conhecida em uma mostra virtual aberta ao público.
“Vitória em Negativos de Vidro” reúne 50 fotografias produzidas nas primeiras décadas do século XX e preservadas em placas de vidro pelo Arquivo Público Municipal. A exposição integra a programação de aniversário da capital e também marca os 200 anos da fotografia no mundo.
Entre os registros estão imagens da Vila Rubim, do Parque Moscoso, da antiga Praia Comprida — área que atualmente integra a Enseada do Suá — e da Ilha do Príncipe em uma época em que ainda era cercada pelo mar.
A mostra também recupera imagens de espaços que já não existem, como o Teatro Melpômene, demolido para a abertura da Rua 7 de Setembro, e o antigo orquidário do Parque Moscoso.
Outras fotografias documentam intervenções urbanas e episódios do cotidiano da população, como a construção da adutora ligada ao Reservatório de Duas Bocas, em Cariacica, imóveis posteriormente demolidos, a movimentação do Mercado da Vila Rubim e registros de sepultamentos no Cemitério de Santo Antônio.
Imagens recuperadas com tecnologia digital
Para tornar o material novamente acessível, os fotógrafos Carlos Antolini e Elizabeth Nader reproduziram os negativos utilizando uma mesa de luz e equipamentos digitais.
Algumas placas estavam quebradas ou trincadas e precisaram ser cuidadosamente remontadas antes da reprodução. Depois da captura, as imagens passaram por tratamento digital para permitir a recuperação de detalhes que permaneceram pouco acessíveis durante décadas.
O acervo preservado pelo município possui 117 placas secas de vidro, em diferentes dimensões. São 84 peças de 24 por 18 centímetros, 26 de 12 por 9 centímetros e sete de 9 por 6 centímetros.
A técnica das placas secas começou a se difundir no século XIX e representou um avanço importante para a fotografia. Diferentemente dos processos anteriores, que exigiam preparação química imediatamente antes da captura, as placas passaram a ser produzidas previamente e comercializadas prontas para uso.
Por serem frágeis e revestidas por material fotossensível, sua conservação exige condições específicas de armazenamento, controle de temperatura, umidade e luminosidade.
Primeira ação do Núcleo de Memória
A exposição é a primeira iniciativa apresentada ao público pelo Núcleo de Memória de Vitória, formado por profissionais do Arquivo Público Municipal e da área de Comunicação da prefeitura.
O projeto pretende ampliar o acesso ao patrimônio histórico da capital e promover a divulgação dos acervos públicos. Entre as ações em preparação estão publicações, exposições temáticas, produções audiovisuais e projetos digitais.
Acervo reúne milhões de documentos
O Arquivo Público Municipal de Vitória foi criado em 1909 e reúne documentação produzida desde o século XVII.
O acervo histórico possui aproximadamente 3,2 milhões de páginas, além de mapas, periódicos, fotografias e peças museológicas. A coleção fotográfica reúne cerca de 65 mil imagens originais e mais de 175 mil negativos.
A mostra “Vitória em Negativos de Vidro” permanece disponível de forma virtual no portal da Prefeitura de Vitória.
Fonte: Prefeitura de Vitória