A Prefeitura de Vitória, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam), iniciou uma campanha educativa nas redes sociais para orientar a população sobre prevenção de mordidas de cães. Produzido pela Gerência de Educação Ambiental, o material reforça que esses acidentes raramente ocorrem “do nada”: na maior parte dos casos, estão associados a situações de desconforto, medo ou dor para o animal.
Crianças são as mais vulneráveis
A ação destaca a importância de compreender e respeitar a linguagem corporal dos cães para evitar acidentes, sobretudo no convívio com crianças, que concentram a maior parte das vítimas. Os conteúdos apresentam orientações claras sobre como reconhecer sinais de estresse, se aproximar de forma segura, agir em eventuais situações de risco e o que fazer após uma mordida.
Números que preocupam
De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 49 mil pessoas foram atendidas na rede pública em 2023 por causa de mordidas de cães. Até agosto de 2024, já haviam sido registrados mais de 39 mil casos no país.
Por que as mordidas acontecem
Especialistas apontam que a maioria dos incidentes está ligada a contextos previsíveis para quem observa o comportamento canino: proteção de recursos (comida, brinquedos), dor aguda, manipulação inadequada (puxões de orelha, abraços apertados), sustos ou aproximação brusca de desconhecidos. Reconhecer e respeitar esses limites reduz significativamente o risco.
Sinais de estresse e alerta nos cães
Abaixo, um guia rápido para identificar comportamentos que pedem atenção e como reagir de forma segura:
| Sinal observado | O que pode indicar | Como agir |
|---|---|---|
| Orelhas para trás, rabo entre as pernas | Medo ou insegurança | Afastar-se calmamente e dar espaço |
| Bocejos repetidos, lambidas de lábios sem motivo | Estresse crescente | Interromper a interação e permitir descanso |
| Corpo enrijecido, olhar fixo (olho à mostra) | Alerta/ameaça | Não encarar; recuar devagar, sem movimentos bruscos |
| Rosnado ou mostrar dentes | Aviso claro de desconforto | Parar imediatamente o que estiver fazendo e se afastar |
| Esconder-se ou tentar fugir | Evitar contato | Não forçar aproximação; oferecer rota de saída |
Como se aproximar com segurança
– Perguntar ao tutor se é um bom momento para contato.
– Aproximar-se de lado, em passos lentos, deixando o cão cheirar primeiro.
– Evitar abraços, beijos no focinho e toques na cabeça de forma abrupta.
– Manter brinquedos e comida do cão fora do alcance de crianças durante visitas.
– Supervisionar sempre o convívio entre crianças e animais; nunca deixar os pequenos sozinhos com o cão.
Convivência com crianças: regras de ouro
– Ensinar a não puxar orelhas, rabo ou pelagem e a não subir no animal.
– Criar “zonas de descanso” onde o cão possa se recolher sem ser incomodado.
– Orientar a não mexer no pote de ração, caminha ou brinquedos do cão.
– Reforçar que rosnado é um aviso: a criança deve se afastar e chamar um adulto.
O que fazer em caso de mordida
– Lavar imediatamente o ferimento com água corrente e sabão por, no mínimo, cinco minutos.
– Procurar atendimento de saúde para avaliação de necessidade de curativo, antibiótico, antirrábica e antitetânica.
– Anotar dados do tutor e a situação do calendário vacinal do animal.
– Informar-se na unidade de saúde sobre notificação e acompanhamento do caso.
Educação e respeito no adestramento
A campanha também alerta que punições após uma mordida tendem a piorar o quadro: a violência intensifica o medo do animal e aumenta o risco de novos episódios. A recomendação é adotar práticas educativas com reforço positivo, supervisão adequada e, se necessário, apoio profissional de médicos-veterinários e educadores/adestradores.
“Nosso objetivo é orientar a população para evitar acidentes, especialmente com crianças. Entender a linguagem corporal dos cães e respeitar seus limites é uma atitude de responsabilidade e cuidado com todos os envolvidos”, destaca Ana Ramos, médica veterinária da Gerência de Educação Ambiental da Semmam.
Onde acessar o material
Os conteúdos estão disponíveis nas redes sociais da Prefeitura de Vitória e podem ser compartilhados por escolas, famílias, clínicas veterinárias e por qualquer pessoa interessada em promover uma convivência mais segura e harmoniosa entre pessoas e animais.