Aos 80 anos da instituição, legado da artista capixaba reforça memória, cultura e identidade no Estado
A história de Virgínia Gasparini Tamanini segue viva — não apenas nos livros, peças e telas que produziu, mas também nos espaços e nas pessoas que continuam a dar sentido à sua obra. Nas comemorações pelos 80 anos do Sesc Espírito Santo, esse legado ganha novo destaque, conectando passado e presente da cultura capixaba.
Escritora, pintora e dramaturga, Virgínia foi uma artista que não se limitou a uma única linguagem. Autora do romance “Karina”, considerado um dos primeiros registros artísticos sobre a imigração italiana no Estado, construiu uma trajetória marcada pela sensibilidade e pela capacidade de transformar experiências em memória coletiva.
Desde 2014, seu nome ecoa no Teatro Virgínia Tamanini, no Centro Cultural Sesc Glória, em Vitória — um espaço que, assim como a artista, valoriza a experimentação, o encontro e a pluralidade.
Na foto ao lado, do acervo Carlos Bruno Lopes Freitas, apresentação teatral dirigida por Virgínia.
Um espaço que carrega histórias
O teatro que leva seu nome não é apenas uma homenagem, mas também uma extensão de sua própria trajetória artística. Com proposta contemporânea e formato intimista, o espaço aproxima artistas e público, criando experiências únicas.
Segundo a coordenadora de Cultura do Sesc-ES, Priscila Schimit, a escolha do nome traduz a importância da artista para o cenário cultural.
Multidimensional do Sesc Glória leva o nome da Virgínia Tamanini em homenagem a essa profissional que foi uma erudita da literatura, uma figura ativa na comunicação e, sobretudo, uma dramaturga com produções relevantes na história das artes cênicas capixabas”, destaca. Ao longo dos anos, o palco recebeu apresentações de música, teatro e dança, além de atividades formativas que ampliam o acesso à cultura. André Prando no teatro Virgínia Tamanini, Sesc Glória - Foto: Divulgação/Sesc-ES
Uma artista que nunca parou
Versátil e autodidata, Virgínia construiu uma obra que atravessou diferentes fases da vida. Mesmo após os 80 anos, continuou produzindo, registrando em pinturas cenas do cotidiano e da cultura dos imigrantes italianos.
Sua arte dialoga com a terra, com a memória e com as transformações do Espírito Santo, refletindo uma trajetória marcada pela curiosidade e pela criação constante.
Memória que permanece
O legado da artista também se mantém vivo na família. Em visita recente ao teatro que leva seu nome, o bisneto Carlos Bruno Lopes Freitas relembrou a força de sua produção.
“Ela sempre teve o dom de envolver as pessoas com a arte. Era autodidata e conseguia criar sem ter passado por uma formação formal”, relatou.
A presença da família no espaço reforça a conexão entre gerações e o papel da cultura como elemento de continuidade.
Carlos Bruno Lopes e Victor Biasutti, em visita ao teatro. Foto: Sesc-ES/Divulgação
Uma história que segue atual
Nascida em 1897, em Santa Teresa, Virgínia construiu uma trajetória singular, marcada pela ausência de formação formal e pela força da autodidaxia.
Aos 67 anos, ganhou projeção com o romance “Karina”, inspirado na história de sua família e no processo de imigração italiana no Estado.
Faleceu em 1990, aos 93 anos, mas sua obra permanece atual — revisitadas por artistas, pesquisadores e instituições que mantêm viva sua contribuição.
Fotos da obra de Virgínia Tamanini. Acervo Victor Biasutti
Sesc e a valorização da cultura
Ao completar 80 anos em 2026, o Sesc reafirma seu papel na valorização da cultura e da memória brasileira.
Com atuação em áreas como educação, saúde, cultura, turismo e lazer, a instituição promove, ao longo do ano, uma programação especial que revisita sua história e destaca personagens que ajudaram a construir a identidade cultural do país.
Nesse contexto, Virgínia Tamanini não é apenas lembrada — ela continua presente.