A relação entre mãe e bebê começa antes mesmo do nascimento. Estudos da psicologia perinatal indicam que o vínculo emocional pode se formar ainda na gravidez, com interações simples como falar com o bebê ou prestar atenção aos seus movimentos. "Durante a gestação, mãe e bebê já estão em conexão. O bebê percebe as vibrações emocionais da mãe por meio de alterações hormonais e do ritmo corporal", explica Rafaela Schiavo, psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Esse vínculo precoce traz benefícios que vão além da gestação. Segundo Rafaela, contribui para o desenvolvimento do bebê e pode prevenir atrasos no desenvolvimento infantil. "É por isso que nós, psicólogos, incentivamos a criação desse vínculo ainda na gravidez. Mesmo gestantes que enfrentam dificuldades emocionais podem se beneficiar de práticas simples para se conectar com o bebê". Por que o vínculo é tão importante? Para o bebê, o vínculo emocional promove um apego seguro, fundamental para seu desenvolvimento emocional, social e cognitivo. Crianças que constroem esse tipo de relação têm maior chance de crescer confiantes e resilientes "O vínculo cria a base para como essa criança vai se relacionar com o mundo no futuro", afirma a psicóloga. Já para a mãe, a conexão traz benefícios igualmente significativos e ajuda a criar um ambiente emocional mais positivo durante a gravidez e no período pós-parto. "Mães que conseguem se conectar com o bebê relatam maior segurança emocional, o que ajuda a lidar melhor com os desafios da maternidade", acrescenta. E depois do nascimento? Após o parto, o vínculo continua sendo fortalecido, especialmente durante a chamada "hora dourada" (golden hour). Esse período, a primeira hora de vida do bebê, é considerado crucial para a estabilização dos sinais vitais do recém-nascido. O contato pele a pele entre mãe e filho estimula a liberação de ocitocina, conhecida como o "hormônio do amor", que promove o bem-estar emocional, facilita a amamentação e reforça o vínculo. Um exemplo recente dessa prática foi compartilhado pela influenciadora Viih Tube, após o nascimento de seu segundo filho, Ravi. Durante a golden hour, o contato pele a pele ajudou a estabilizar o bebê, que apresentou sinais de instabilidade e quase precisou ser transferido para a UTI. Segundo a influenciadora, o momento foi determinante para evitar cuidados intensivos. No Brasil, muitas maternidades têm implementado protocolos para garantir a realização da golden hour sempre que possível, mesmo em partos cesáreos ou complicados. Além de fortalecer o vínculo mãe-bebê, o contato ajuda a regular a temperatura corporal, a frequência cardíaca, a respiração do recém-nascido e facilita sua adaptação ao ambiente fora do útero. Quando o vínculo enfrenta desafios Nem sempre criar o vínculo emocional é um processo fácil, de acordo com Rafaela Schiavo. Fatores como gestações não planejadas, ansiedade ou depressão podem dificultar essa conexão. "Nesses casos, é importante que a mãe receba apoio especializado. O vínculo é algo que pode ser construído mesmo em condições adversas, mas o acompanhamento psicológico é fundamental", orienta. A especialista também reforça que a criação do vínculo não precisa ser perfeita: "Cada mãe pode encontrar seu próprio ritmo nesse processo". Como fortalecer o vínculo na gravidez Gestos simples podem ajudar mães a se conectarem com seus bebês durante a gestação. A psicóloga perinatal explica como essas práticas podem fazer diferença na criação desse vínculo:
Para a psicóloga, o vínculo mãe-bebê é uma construção contínua. "Com apoio e pequenas ações no dia a dia, é possível criar uma relação significativa. O vínculo não precisa ser perfeito, mas é importante que ele exista e seja nutrido com afeto", finaliza.