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Valter Hugo Mãe diverte e emociona público da Flip ao falar das vozes de sua cabeça

FolhaPress 01/08/2025 18:55

PARATY, RJ (FOLHAPRESS) - Valter Hugo Mãe estava nervoso. Diante de um uma arquibancada cheia no palco principal da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, nesta sexta-feira (1º), o premiado escritor português tentou driblar a própria tensão tirando sarro de suas inseguranças.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Estou muito autoconsciente porque estou muito gordo. Não quero aparecer desfigurado. Essas imagens ficam perpétuas. Nunca mais desaparecem. Fica para sempre com uma autoestima", disse ele aos fotógrafos à sua frente.

Em tom de conversa de bar, com voz altiva, e arrancando risos da companhia -neste caso, o público-, o escritor transportou a todos para sua vida privada, e, por vezes, mostrou as vozes de sua cabeça.

Além das reflexões sobre o próprio corpo, dividiu com o público o drama de ser encalhado, e se mostrou aberto a novos pedidos de casamento, visto que recebeu inúmeros em 2011, quando participou da Flip pela primeira vez.

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O autor manteve a leveza, mesmo nos momentos em que se dedicou a falar sobre o novo livro, "Educação da Tristeza", publicado pela Globo Livros, inspirado pela perda precoce do sobrinho Eduardo, morto por câncer no ano passado aos 16 anos, do próprio pai, e da amiga e artista plástica Isabela Lhano, morta em 2023. A obra reúne textos curtos e ilustrações produzidos pelo autor para refletir sobre o luto, a perda e as saudades.

"Quando eu digo à minha mãe naquela noite horrenda de perder a Isabel, quando eu digo que está tudo bem, quando eu sou capaz de estar diante dela sem chorar, eu percebi que isso era uma forma de eu educar a tristeza. Fazer com que a tristeza não se sobrepusesse ao amor que eu tenho por Isabel, ao orgulho", diz o autor ao mediador da conversa, o editor de livros da Folha de S.Paulo, Walter Porto.

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Nesta viagem para participar da Flip, além de falar sobre seus livros, Hugo Mãe veio também divulgar a produção da Netflix inspirada em seu romance "O Filho de Mil Homens". O filme tem direção de Daniel Rezende e Rodrigo Santoro no papel do pescador Crisóstomo.

"Eu acho que é possível que o filme seja melhor que o livro", disse.

Após a conversa com o autor, foi a vez da escritora Giovana Madalosso e da quadrinista Liv Strömquist tomarem conta do palco. Com mediação da jornalista e produtora cultural Nanni Rios, as autoras debateram assuntos relacionados às mulheres, como a masturbação feminina, relacionamentos e as fases reprodutivas da vida da mulher, como a menopausa.

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Em cena que arrancou risos dos convidados, Madalosso comentou sobre a escolha de narrar uma cena de masturbação em seu novo livro, "Batida Só", publicado este ano pela Todavia.

"Ontem a gente descobriu que na Suécia não há uma palavra para siririca. Eles têm anascipação, ananismo. Conversando com uma amiga minha portuguesa, eu falei: 'e siririca em Portugal?' 'Não temos essa palavra.' Isso mostra, se a gente não tem nenhuma palavra para isso, o quanto a gente fala pouco ainda. Estamos em 2025 e muitos países não têm uma palavra gostosa para esse ato tão importante, fundamental", disse Madalosso.

FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DE PARATY 2025

Quando Até 3 de agosto

Onde Centro Histórico de Paraty

Preço De R$ 39 a R$ 135 por mesa

Ingressos e mais informações flip.org.br

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