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Unimed Vitória altera atendimento no CIAS e clientes se revoltam com aglomeração

Vitória News 19/03/2025 09:19

A Unimed Vitória tem sido alvo de reclamações frequentes de seus clientes, que se dizem insatisfeitos com o atendimento prestado no Complexo Integrado de Atenção à Saúde (CIAS), localizado no Bairro Itararé. Desde dezembro de 2024, a cooperativa médica vem utilizando um pequeno espaço, inadequado e insalubre, em frente ao CIAS, para atender pacientes com casos não urgentes. De acordo com os relatos, a medida gerou grandes aglomerações, o que, além de desconfortável, aumenta o risco de contágio, especialmente considerando a recente circulação de novas cepas do Covid-19.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Aglomeração e desconforto: uma comparação com o SUS

[caption id="attachment_77133" align="alignleft" width="591"] Foto: VN[/caption]

Os clientes relatam que o tempo médio de espera nesse local chega a ser de até duas horas. Após o registro inicial, os pacientes são submetidos a uma avaliação inicial por um profissional de enfermagem, que verifica pressão arterial, temperatura e escuta o relato do paciente. Em seguida, o paciente aguarda o atendimento médico, geralmente em um ambiente extremamente lotado e desconfortável. O espaço, além de pequeno, não conta com ventilação adequada, pois o sistema de ar-condicionado não é suficiente para a quantidade de pessoas ali presentes.

Este cenário é comparado por muitos clientes com o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), onde, segundo eles, a organização e o cumprimento rigoroso dos horários agendados são uma realidade, em contraste com o atendimento da Unimed Vitória, que é visto como mais caótico e desorganizado.

Custos elevados e insatisfação com o atendimento

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A insatisfação com o atendimento da Unimed Vitória é ainda mais evidente quando se considera os altos custos cobrados aos seus clientes. Um paciente com mais de 59 anos, que opta por internação em apartamento, chega a pagar R$ 2.135,36, enquanto o custo para dependentes pode chegar a R$ 2.131,89. Diante disso, muitos se questionam sobre a qualidade do serviço prestado, considerando que, em algumas situações, a experiência é descrita como inferior até mesmo ao atendimento público do SUS.

Um exemplo disso é o relato de um paciente idoso de 78 anos e 8 meses, que procurou atendimento no CIAS devido a uma diarreia severa. Após ser atendido por um enfermeiro, foi encaminhado para a unidade da Unimed em frente ao CIAS, que ficava "do outro lado da avenida". O profissional considerou que o paciente "não tinha risco de morte", mas a experiência na unidade foi marcada por uma longa espera e condições precárias. O ambiente estava superlotado, sem espaço para os pacientes se acomodarem adequadamente, e o calor era intenso devido à falta de ventilação adequada. O idoso, insatisfeito com o atendimento, optou por procurar um posto de saúde municipal, onde foi prontamente atendido.

Prejuízo milionário e crise financeira

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A insatisfação com o atendimento da Unimed Vitória ocorre em um contexto de crise financeira. Em sua Assembleia Geral Ordinária de 2024, a cooperativa médica reconheceu o impacto de perdas milionárias, com destaque para o prejuízo de R$ 146,92 milhões devido a investimentos malsucedidos no fundo Infinity Asset. A gestora de investimentos, que entrou em crise no início de 2023, foi uma das responsáveis pela quebra que afetou a Unimed Vitória. De acordo com a ata da Assembleia, a cooperativa tinha um dos maiores volumes de cotas no fundo da Infinity Asset, o que resultou em perdas financeiras significativas.

Em relação à recuperação desses valores, a ata registra que a Unimed Vitória tem buscado meios de reversão das perdas e que uma possível recuperação está sendo estudada, com base em uma carta de crédito. No entanto, a incerteza persiste quanto ao recebimento desses valores, o que adiciona mais um capítulo à crise financeira enfrentada pela cooperativa.

Crescimento no faturamento e reajustes nos planos

Apesar da crise financeira, a Unimed Vitória apresentou crescimento em sua receita no último ano. A cooperativa atingiu uma receita de mais de R$ 2,1 bilhões com planos de saúde, um aumento de aproximadamente R$ 286 milhões em relação ao ano anterior. Além disso, o reajuste para clientes pessoa jurídica foi de 18,15%, superior ao reajuste de 2022, que foi de 13,94%. O aumento nos valores dos planos, no entanto, não parece ter se refletido em uma melhoria no atendimento, como evidenciam as reclamações dos clientes.

Procurada, Unimed Vitória não se posiciona

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Até o fechamento desta matéria, a Unimed Vitória não havia enviado uma resposta sobre as denúncias de aglomeração e condições inadequadas no atendimento do CIAS. A cooperativa foi procurada pela reportagem, mas ainda não se posicionou oficialmente sobre os casos relatados.

O Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) também foi contatado para fornecer um parecer sobre as condições de atendimento e sobre a sobrecarga de trabalho enfrentada pelos médicos no espaço improvisado da Unimed Vitória. No entanto, até o fechamento da matéria, não houve retorno do CRM-ES.

Conclusão

A situação no CIAS da Unimed Vitória gera um sentimento de frustração entre seus clientes, que se sentem desrespeitados pela qualidade do atendimento, que, para muitos, não condiz com os valores cobrados pelos planos de saúde. A falta de infraestrutura e o elevado tempo de espera são apenas alguns dos problemas que precisam ser resolvidos urgentemente pela cooperativa, especialmente considerando os altos custos que seus clientes pagam.

O impacto financeiro da Unimed Vitória, com o prejuízo de R$ 146 milhões, apenas agrava a situação e levanta ainda mais dúvidas sobre a transparência e a qualidade dos serviços prestados pela cooperativa. Enquanto isso, a crise continua a se aprofundar, afetando diretamente os usuários que esperam um atendimento de saúde mais digno e eficiente.

Atualização

A matéria será atualizada assim que a Unimed Vitória e o CRM-ES fornecerem seus posicionamentos oficiais sobre o caso.

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