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Unesco registra 189 jornalistas mortos em dois anos e alerta para impunidade

Zonas de conflito concentraram 67% das mortes em 2024 e 2025; Brasil teve um caso registrado no período

Vitória News 02/11/2026 10:05
Unesco registra 189 jornalistas mortos em dois anos e alerta para impunidade
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) registrou a morte de 189 jornalistas no mundo em 2024 e 2025. Divulgado nesta segunda-feira (2), o levantamento apresenta o maior número desde o biênio 2014/2015, quando foram contabilizadas 215 mortes.

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Segundo o Relatório sobre a Segurança de Jornalistas e o Perigo da Impunidade, 127 profissionais foram mortos em países em situação de conflito, o equivalente a 67% do total. Outros 62 casos ocorreram fora dessas áreas, o menor número nessa categoria em 18 anos.

A Palestina concentrou 62 mortes, aproximadamente um terço dos registros do período. O relatório também aponta o uso de drones em ataques que mataram 50 profissionais.

Pelo menos 36 jornalistas morreram em ataques a escritórios de veículos de comunicação ou a instalações que abrigavam equipes de imprensa em áreas de conflito. Em um único episódio, nove profissionais foram mortos.

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Em ao menos 15 casos, a Unesco identificou indícios de que as vítimas foram atingidas mesmo usando coletes de imprensa ou estando em veículos com identificação jornalística.

A cobertura de conflitos armados estava relacionada a 104 mortes. Outros 38 profissionais foram mortos enquanto trabalhavam com temas políticos e 22, com assuntos ligados à criminalidade. O levantamento também registra vítimas que investigavam corrupção.

Na avaliação da diretora de Liberdade de Expressão e Desenvolvimento da Mídia e Alfabetização Midiática e Informacional da Unesco, Sylvie Couldray, os dados mostram que o risco não se limita às guerras.

“Isso mostra que fazer reportagens sobre alguns assuntos pode ser tão perigoso quanto reportar em uma zona de guerra”, afirma.

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Entre os profissionais mortos, cinco tinham de 15 a 24 anos e 20 estavam na faixa dos 25 aos 29 anos. Foram registradas 14 mulheres entre as vítimas, das quais 13 morreram em países em situação de conflito.

No Brasil, o relatório contabilizou o assassinato de Luís Augusto Carneiro da Costa, conhecido como Luisinho Costa. Ele foi morto em maio de 2025, no estúdio da Rádio Guarany, em Abaetetuba, no Pará. Segundo a Polícia Civil do estado, o inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça, com quatro pessoas indiciadas.

A impunidade permanece como uma das principais preocupações da organização. O relatório aponta que 86% dos casos monitorados desde 2006 seguem sem solução judicial ou sem informações prestadas pelas autoridades. O índice aumentou um ponto percentual em relação a 2024, na primeira alta desde 2012.

“O relatório é uma ferramenta importante para monitorar as tendências globais, além de nos lembrar que proteger jornalistas e acabar com a impunidade são essenciais para salvaguardar a liberdade de expressão e o direito do público à informação”, afirma a diretora de Comunicação e Informação da Unesco, Mariya Gabriel.

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Além dos assassinatos, a organização alerta para outras formas de violência contra profissionais da imprensa, como sequestros, desaparecimentos forçados, detenções arbitrárias, ataques pela internet motivados por gênero e restrições de deslocamento.

A Unesco consultou autoridades de 78 países com registros de violência contra jornalistas. Desses, 38 apresentaram informações sobre iniciativas de proteção e enfrentamento aos crimes.

Entre as medidas comunicadas pelo Brasil está o Protocolo Nacional para a Investigação de Crimes contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, lançado em abril de 2026 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. A iniciativa foi incorporada ao repositório de mecanismos nacionais de segurança da Unesco.

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