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Um em cada três adolescentes relata 'vontade de se machucar de propósito', aponta pesquisa

Estadão Conteúdo 25/03/2026 11:16

Alerta: a reportagem abaixo trata de temas como suicídio e transtornos mentais. Se você está passando por problemas, veja ao final do texto onde buscar ajuda.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela aspectos preocupantes sobre a saúde mental de adolescentes brasileiros, sobretudo das meninas.

De acordo com o levantamento, divulgado nesta quarta-feira, 25, 32% dos estudantes de 13 a 17 anos de idade, das escolas públicas e privadas do País, afirmaram já ter sentido vontade de se "machucar de propósito". Entre as meninas, entretanto, a porcentagem chega a 43,4%, contra 20,5% entre os meninos.

Segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID), a automutilação é uma lesão autoinfligida intencionalmente, sem intenção de morte. Em 2024, foi a primeira vez que a pergunta foi incluída na pesquisa. Entretanto, os resultados estão em consonância com outras pesquisas nacionais sobre o tema da autolesão, segundo informaram os pesquisadores do IBGE.

Segundo o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde, da Fiocruz da Bahia, um levantamento sobre autolesão no Brasil, realizado no período de 2011 a 2022, a partir de registros do Ministério da Saúde, apontou que as taxas de notificações por autolesões na faixa etária de 10 a 24 anos aumentaram 29% a cada ano no período investigado; além disso, em 2022, as taxas de notificação de autolesão entre as mulheres foram mais do que o dobro das dos homens.

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"Ainda que sejam metodologias diferentes, a vontade de se machucar de propósito, apontada pelos resultados da pesquisa, reflete uma ideação automutilatória do adolescente que pode se tornar ação: há um alerta nesses resultados que não pode ser ignorado", alertaram os especialistas do IBGE.

Tristeza, preocupação, irritação

A Pense mostrou ainda que uma a cada quatro meninas adolescentes (25%) considera que a "vida não vale a pena ser vivida"; mais que o dobro dos meninos (12%).

As diferenças entre os resultados das redes pública e privada também chamaram a atenção; observou-se que o porcentual de estudantes da rede pública que experimentaram sentimentos de falta de sentido para a vida foi de 19,4%, comparados a 13,9% dos estudantes da rede privada, evidenciando maior vulnerabilidade dos estudantes da rede pública.

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"É notável que foram as meninas a se sentirem mais tristes, mais preocupadas, mais irritadas, nervosas ou mal-humoradas, que mais se machucaram intencionalmente, que mais perceberam que ninguém se preocupava com elas e que mais sentiram que a vida não valia a pena ser vivida", destacaram os pesquisadores.

Dentre as Grandes Regiões, o Norte (20,8%) apresentou a maior porcentagem do País para o indicador "vida não vale a pena ser vivida", enquanto as Regiões Sul e Sudeste (17,6%, ambas) posicionaram-se no extremo inferior dos resultados. As Unidades da Federação do Amazonas e do Amapá (23,9%, ambas) exibiram as porcentagens mais altas e os Estados do Rio Grande do Norte (15,3%) e do Rio Grande do Sul (15,1%) as mais baixas.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em todo o mundo um em cada sete adolescentes dos 10 aos 19 anos sofre de algum transtorno mental, o que representa cerca de 15% da carga global de doenças nessa faixa etária.

A depressão, a ansiedade e os problemas comportamentais estão entre os eventos mais frequentes. O suicídio é a terceira causa de morte na faixa dos 15 aos 19 anos.

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Onde buscar ajuda

Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar ajuda:

Centro de Valorização da Vida (CVV)

Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.

Canal Pode Falar

Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.

SUS

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes. Na cidade de São Paulo, são 33 Caps Infantojuventis.

Mapa da Saúde Mental

O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.

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