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Tremor de 3,7 no Tocantins gera boato sobre novo terremoto; especialista alerta

Abalo registrado em Sandolândia foi o mais forte no estado desde 2015; sismólogo afirma que não existe método científico capaz de prever data, local e magnitude de terremotos

Vitória News 12/09/2026 06:40
Tremor de 3,7 no Tocantins gera boato sobre novo terremoto; especialista alerta
Foto: Defesa Civil/GovRS

Um tremor de terra de magnitude 3,7 foi registrado às 5h45 de sexta-feira (4), nas proximidades de Sandolândia, no sul do Tocantins. O abalo foi detectado pelas estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e analisado pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Não houve relatos de danos materiais nem informações de que moradores tenham sentido o tremor com intensidade. Após o episódio, porém, começou a circular uma suposta previsão de que um novo abalo ocorreria no dia 18.

O sismólogo Bruno Colaço, da RSBR e do Centro de Sismologia da USP, afirma que a informação é falsa. Segundo ele, a ciência não dispõe atualmente de tecnologia capaz de prever com precisão quando, onde e com qual magnitude ocorrerá um terremoto.

“Esse alerta é falso. Os tremores são impossíveis de prever, e talvez nunca seja possível prever data, local e magnitude exatos”, afirmou.

Maior tremor desde 2015

O episódio de Sandolândia não é isolado. Desde 1988, a Rede Sismográfica Brasileira contabilizou 34 abalos sísmicos no Tocantins, principalmente nas regiões central e sul do estado.

Somente neste ano foram registrados três tremores. O de magnitude 3,7 foi o mais forte observado no Tocantins desde 2015 e está entre os três de maior magnitude registrados no estado na última década, segundo o especialista.

Apesar disso, os registros não caracterizam um enxame sísmico, expressão utilizada para uma sequência de tremores concentrados em determinada região.

SESC PICASSO

Por que há terremotos no Brasil?

O Brasil está localizado no interior da placa Sul-Americana e distante das bordas das placas tectônicas, onde normalmente acontecem os terremotos mais intensos. Isso reduz o risco de grandes eventos, mas não elimina a possibilidade de tremores.

As tensões provocadas pela movimentação das placas se propagam pela crosta terrestre e podem se acumular em falhas geológicas. Quando as rochas não suportam mais essa pressão, ocorre uma ruptura que libera energia em forma de ondas sísmicas.

Esse fenômeno é conhecido como sismicidade intraplaca. No Brasil, os eventos costumam apresentar magnitudes menores e raramente provocam danos graves a construções ou grandes estruturas.

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O país possui mais de 120 estações destinadas ao monitoramento da atividade sísmica.

Terremotos não podem ser previstos

De acordo com Colaço, é possível avaliar o risco sísmico de determinada região com base em dados históricos e características geológicas, mas não prever um terremoto específico.

Sistemas de alerta existentes em alguns países também não antecipam a ocorrência. Eles identificam rapidamente um terremoto que já começou e podem emitir avisos para regiões que ainda serão atingidas pelas ondas sísmicas.

Dependendo da distância e da magnitude, o alerta pode proporcionar alguns segundos ou minutos para que pessoas adotem medidas de proteção.

Fonte: Rede Sismográfica Brasileira, Centro de Sismologia da USP e Brasil 61

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