Abalo registrado em Sandolândia foi o mais forte no estado desde 2015; sismólogo afirma que não existe método científico capaz de prever data, local e magnitude de terremotos
Um tremor de terra de magnitude 3,7 foi registrado às 5h45 de sexta-feira (4), nas proximidades de Sandolândia, no sul do Tocantins. O abalo foi detectado pelas estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e analisado pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP).
Não houve relatos de danos materiais nem informações de que moradores tenham sentido o tremor com intensidade. Após o episódio, porém, começou a circular uma suposta previsão de que um novo abalo ocorreria no dia 18.
O sismólogo Bruno Colaço, da RSBR e do Centro de Sismologia da USP, afirma que a informação é falsa. Segundo ele, a ciência não dispõe atualmente de tecnologia capaz de prever com precisão quando, onde e com qual magnitude ocorrerá um terremoto.
“Esse alerta é falso. Os tremores são impossíveis de prever, e talvez nunca seja possível prever data, local e magnitude exatos”, afirmou.
Maior tremor desde 2015
O episódio de Sandolândia não é isolado. Desde 1988, a Rede Sismográfica Brasileira contabilizou 34 abalos sísmicos no Tocantins, principalmente nas regiões central e sul do estado.
Somente neste ano foram registrados três tremores. O de magnitude 3,7 foi o mais forte observado no Tocantins desde 2015 e está entre os três de maior magnitude registrados no estado na última década, segundo o especialista.
Apesar disso, os registros não caracterizam um enxame sísmico, expressão utilizada para uma sequência de tremores concentrados em determinada região.
Por que há terremotos no Brasil?
O Brasil está localizado no interior da placa Sul-Americana e distante das bordas das placas tectônicas, onde normalmente acontecem os terremotos mais intensos. Isso reduz o risco de grandes eventos, mas não elimina a possibilidade de tremores.
As tensões provocadas pela movimentação das placas se propagam pela crosta terrestre e podem se acumular em falhas geológicas. Quando as rochas não suportam mais essa pressão, ocorre uma ruptura que libera energia em forma de ondas sísmicas.
Esse fenômeno é conhecido como sismicidade intraplaca. No Brasil, os eventos costumam apresentar magnitudes menores e raramente provocam danos graves a construções ou grandes estruturas.
O país possui mais de 120 estações destinadas ao monitoramento da atividade sísmica.
Terremotos não podem ser previstos
De acordo com Colaço, é possível avaliar o risco sísmico de determinada região com base em dados históricos e características geológicas, mas não prever um terremoto específico.
Sistemas de alerta existentes em alguns países também não antecipam a ocorrência. Eles identificam rapidamente um terremoto que já começou e podem emitir avisos para regiões que ainda serão atingidas pelas ondas sísmicas.
Dependendo da distância e da magnitude, o alerta pode proporcionar alguns segundos ou minutos para que pessoas adotem medidas de proteção.
Fonte: Rede Sismográfica Brasileira, Centro de Sismologia da USP e Brasil 61