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Tradição Serrana leva Queimado à avenida

Escola da Serra destaca legado de Chico Prego e afirma protagonismo negro no Carnaval 2026

Vitória News 11/02/2026 11:53
Tradição Serrana leva Queimado à avenida
Foto: Segov/Divulgação

Fundada oficialmente em 1º de outubro de 2000, a Grêmio Recreativo e Cultural Escola de Samba Tradição Serrana surgiu da iniciativa de Mário Mendes e de um grupo de amigos que decidiram transformar o Bloco Tradição do Samba em escola de samba. O bloco já desfilava havia cinco anos nos bairros Feu Rosa e Vila Nova de Colares, na Serra, consolidando-se como expressão cultural comunitária.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

As cores azul e branco foram mantidas como identidade visual. A bandeira reúne referências à história capixaba, como dois beija-flores em homenagem ao naturalista Augusto Ruschi, o café — principal cultura agrícola do Espírito Santo — e uma coroa imperial que simboliza a passagem de Dom Pedro I pelo município.

Mesmo sem apoio público, o bloco participou por anos do carnaval capixaba, conquistando reconhecimento e o vice-campeonato em 1997. Com o fortalecimento da participação popular, a agremiação foi oficialmente transformada em escola de samba, tendo como primeiro presidente Mário César dos Santos.

SESC PICASSO

Ao longo de sua trajetória, a Tradição Serrana conquistou dois títulos no Grupo de Acesso: em 2012, com o enredo “As 13 maravilhas do carnaval capixaba”, e em 2014, com “Hoje tem carnaval? Tem sim, senhor!”. A escola se consolidou por desenvolver enredos ligados à ancestralidade negra, à cultura popular capixaba e ao folclore.

Enredo 2026 revisita Revolta de Queimado

Para o Carnaval de 2026, a escola apresenta o enredo “A Cor da Liberdade é Preta - O Legado de Queimado”. A proposta tem como eixo central a Revolta de Queimado, ocorrida em 1849 e liderada por Chico Prego, episódio considerado um dos principais levantes de pessoas escravizadas no Espírito Santo.

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A narrativa do desfile propõe uma releitura histórica do movimento, associando o episódio às desigualdades contemporâneas. O enredo estabelece paralelos entre o período da escravidão e os territórios periféricos atuais, destacando espaços de resistência cultural.

A escola também inclui no desfile referências às religiões de matriz africana e às manifestações culturais negras, como samba, rap, funk e grafite, compreendendo essas expressões como formas de afirmação identitária.

O encerramento projeta uma imagem denominada “Constelação Negra”, reunindo símbolos de ancestralidade e futuro, com destaque para crianças e lideranças comunitárias.

Sinopse do enredo

A chama da revolta conduz a narrativa apresentada pela escola. A figura de Chico Prego é evocada como símbolo de resistência, associada à luta por liberdade e à permanência histórica da mobilização negra.

Trechos da sinopse destacam a memória da Revolta de Queimado, a denúncia das desigualdades e a afirmação da identidade negra como elemento central do desfile, reforçando a proposta de transformar a avenida em espaço de memória e reflexão histórica.

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Eu sou a chama que arde no peito,

A memória viva do fogo que não se apaga.

Herdeiro da luta, justiça e respeito.

Sou Chico Prego, sou Queimados em pé,

Negro insurgente, de lança e de fé.

 

Fugi do cativeiro, queimei a senzala,

Levantei minha voz, fiz tremer a bala.

Do Espírito Santo ecoou meu clarim:

"Liberdade agora, é chegado o fim!"

 

E se pensam que a história passou,

Olha o gueto que nunca calou.

A favela resiste, no rap, no tambor,

No corpo que dança, no grito de amor.

 

Do tempo de senzala ao tempo das quebradas

Hoje, a favela samba com os pés fincados na terra

Entre estrelas e favelas, forjamos liberdade.

Porque o céu também é nosso.

 

Minha luta é presente, está viva, está aí

Na pele retinta que insiste em sorrir.

Eu sou revolta, sou povo, sou chão,

Sou negro, sou quilombo, sou revolução!



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