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Thiago Brennand é condenado a 8 anos de prisão por estupro de estudante de medicina

FolhaPress 01/09/2025 20:20

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O empresário Thiago Brennand, 45, foi condenado à pena de oito anos de reclusão, em regime fechado, pelo estupro da estudante de medicina Stefanie Cohen, em outubro de 2021, além do pagamento de indenização por danos morais por R$ 200 mil.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A informação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. O processo está em segredo de Justiça. Cohen, que afirmou ter sido também dopada por Brennand, celebrou a condenação pelas redes sociais e comentou: "A Justiça sendo feita".

A reportagem tenta contato com a defesa de Brennand, composta pelos advogados Alberto Zacharias Toron e Luiza Oliver. Em outras ocasiões, Brennand negou, de forma geral, as acusações de estupro feitas contra ele.

Os advogados da vítima -Márcio Janjácomo, João Vinicius Manssur, Márcio Janjácomo Júnior e Marcelo Zovico- reafirmaram confiança na Justiça e compromisso incansável com a defesa e acolhimento das vítimas, especialmente na prevenção e no combate à violência contra a mulher.

Brennand está preso desde abril de 2023 e cumpre as penas em Tremembé. Ele já foi considerado culpado em outros processos por violência contra mulheres.

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Em entrevista em 2022, Stefanie Cohen relata que conheceu o empresário em um restaurante, onde ela estava comemorando o título de miss São Paulo de Las Americas com amigas em um restaurante na capital paulista.

Ele estava no estabelecimento, com o filho, e os dois começaram a conversar. "Ele foi educado, parecia um cavalheiro", contou. Alguns dias depois, eles começaram a conversar por Instagram.

Eles saíram para para jantar e, ao final, pediu duas caipirinhas de caju. Após beber, Cohen diz que começou a passar mal e ficou desorientada. "Ele veio até mim no banheiro e me levou. Eu disse que estava passando mal e ele disse que estava tudo bem", relatou ela.

A estudante afirmou que não se lembrava claramente de tudo o que aconteceu no resto da noite, mas diz que foi dopada e estuprada por Brennand. Afirma, entre outras coisas, que ele forçou para fazer sexo anal com ela.

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"Foi algo que eu nunca tinha feito, eu pedia 'não, por favor não'. Eu falei que eu nunca tinha feito isso e ele me dizia que eu era a namorada dele", afirmou ela. "Foi tudo com extrema violência", diz. Ainda segundo ela, ele não usou preservativo.

No dia seguinte, ela afirmou ter acordado com dores e sem saber onde estava. Ao abrir a porta, disse ter visto o segurança do empresário do lado de fora e, então, entendido o que tinha acontecido. Nesse momento, ela afirmou ter entrado no que chama de "modo sobrevivência".

O empresário teria dito a Cohen que eles iriam para sua casa no condomínio Fazenda Boa Vista, em Porto Feliz. Por isso, mandou o segurança levá-la de volta para casa fazer uma mala. Quando chegou ao local, ela disse ao segurança que tinha um compromisso e que voltaria para a casa de Brennand só mais tarde.

Depois disso, entrou em casa e contou à mãe o que tinha acontecido. Ela afirmou que estava disposta a denunciá-lo, mas mudou de ideia depois que Brennand mandou um vídeo dos dois na noite anterior --ela afirma que não autorizou que ele gravasse as imagens. "Na hora, aquilo me calou. Foi um misto de ódio com vergonha."

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"Eu vi que eu estava nua, ele mexia no meu corpo e aparecia o meu rosto, mas não assisti ao vídeo inteiro. Me dá vontade vomitar", disse.

Cohen diz que o vídeo foi uma forma de intimidá-la e, depois disso, eles não se falaram mais. "Ele percebeu que eu não ia voltar, de burro ele não tem nada. Me mandou o vídeo e eu nem sequer respondi. Para mim, a ameaça estava feita e eu me calei."

Dias depois, ela procurou a ginecologista Roberta Grabert. Em um laudo escrito em 2022, a médica afirmou que Cohen relatou ter sofrido abuso psicológico, físico e sexual, mas que não quis procurar a polícia, pois estava sendo ameaçada por Brennand.

A própria estudante mostrou o documento à reportagem. A ginecologista também confirmou sua veracidade.

Na consulta, a médica encontrou hematomas no braço e no abdômen da estudante, além de sinais de machucados na vagina e no ânus. "O evento trouxe muitos prejuízos à vida dela. Não denunciei o evento a pedido da paciente e agora sinto-me no dever de me colocar à disposição para qualquer esclarecimento", escreveu a médica no laudo.

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