Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 10h53m
Vitória News — Um jornal de verdade
Variedades

Thiago Amud reúne Caetano Veloso e Chico Buarque em disco embalado pelas águas

FolhaPress 03/04/2025 15:36

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O cantor e compositor Thiago Amud apresenta nesta sexta (4) no Sesc Pompeia, em São Paulo, o show de seu quinto e recém-lançado álbum, "Enseada Perdida". Além da sofisticação de música e letra que ele traz desde a estreia fonográfica com "Sacradança", de 2010, o novo trabalho traz algo incomum: Chico Buarque e Caetano Veloso em um mesmo álbum. Os gigantes da MPB cantam em faixas diferentes, mas há muito tempo não estavam tão próximos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Tem ares de proeza, né?", diz Amud, com um sorriso. A amizade com Zeca Veloso, filho de Caetano, contribuiu para essa dupla participação. Bem antes dessa amizade surgir, Caetano já elogiava constantemente Amud, embora eles nunca tivessem se encontrado.

Amud arriscou -deixou um CD de seu segundo álbum, "Ponta a Ponta, Tudo é Praia-Palma", de 2013, na portaria do prédio onde Caetano morava. Até que aconteceu. "De repente, ele citava meu nome na imprensa, elogiando. Eu fiquei muito instigado, mais até do que envaidecido. E aí consegui o email dele e viemos nos falando." Foi quando conheceu Zeca e, no período da pandemia, fez o arranjo da música-título do disco "Meu Coco", de Caetano.

SESC PICASSO

Em 2023, quando Amud voltou ao Rio de Janeiro após um tempo em Belo Horizonte, Zeca insistiu que o amigo enviasse uma canção para Caetano gravar. Ele mandou então "Cidade Possessa", que abre o novo álbum. No fim, o colega repassou a música ao produtor de Chico Buarque, que entoa os versos que abrem o novo álbum. "Essa música é a cara do Chico. Manda outra para o meu pai", disse Zeca.

O interesse de Chico também foi reforçado por outra amizade de Amud. No estúdio, o veterano falou que conhecia o trabalho dele por causa de Guinga, outro monstro sagrado da MPB, que participa das peladas semanais com o compositor.

CONTADOR - BONUS

Como Zeca havia avaliado, "Cidade Possessa" é um frevo de inclinação buarqueana. Já a participação de Caetano teve um pequeno desvio de rota. "Eu compus a melodia de 'Dinamismo' e ia botar a letra para o Caetano cantar, ela tem uma rítmica daquela marcha caetaneada. Mas antes de eu aprontar a letra, ele ouviu 'Cantiga para Ninar o Mar' e gostou."

Caetano interpreta de forma suave, e a balada é a última das 11 faixas. "Dinamismo" acabou entrando na voz de Amud. O álbum é mais diversificado do que "São", seu disco anterior, de 2021, mais centrado no formato canção. Agora, há mais abertura, com faixas que impressionam, apesar de uma unidade clara que o trabalho deixa evidente, com temas influenciados pela água, do mar e dos rios.

"'Baía de Janeiro', foi encomendada por sugestão do Hermano Vianna, que deu meu nome para dois cineastas do Rio, Felipe Bragança e Marina Meliande. Eles fizeram o filme 'A Baleia', sobre uma escola de samba fictícia. A música pedida era um samba-enredo sobre a história da Baía de Guanabara", diz. "E 'Oração à Cobra Grande', que também fala de águas, é uma parceria minha com uma compositora mineira que está morando em São Paulo, Luiza Brina, uma melodista apuradíssima."

Anuncio - Raimundo - Bonus

Amud não tinha planos de gravar um disco por enquanto, mas com Chico e Caetano aceitando cantar suas músicas, mudou seus planos. "Aí eu falei com o Silvio Fraga, diretor artístico da gravadora Rocinante, que aliás é meu parceiro numa das canções, 'Penteu', a melodia é dele. Ele quis fazer o disco."

Então Amud lança agora seu terceiro álbum seguido pela gravadora, todos com edição em vinil. "Bem, eu não tenho vitrola, mas adoraria ter um toca-discos. Acho um barato aquele encarte grande, aquele objeto maravilhoso, que implica mais ritual para a gente escutar."

THIAGO AMUD EM SÃO PAULO

Quando 4 de abril, às 21h

Onde Sesc Pompeia. R. Clélia, 93, Pompeia, região oeste

Preço R$ 60

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas