Safrinha já tem 84,7% da área colhida no país; calor intenso e umidade abaixo de 20% aumentam a preocupação com pastagens e rebanhos
O predomínio de calor e tempo seco no Centro-Oeste deve favorecer a reta final da colheita do milho segunda safra, mas também aumenta os riscos para a pecuária e para lavouras mais tardias. A previsão indica temperaturas elevadas, pouca chuva e umidade do ar em níveis críticos em diferentes pontos da região nos próximos dias.
A colheita da segunda safra de milho já alcançou 84,7% da área cultivada no Brasil. Em Mato Grosso, os trabalhos estão praticamente concluídos, com produtividades acima das estimativas iniciais dos produtores.
Em Goiás, as máquinas avançam principalmente pelas regiões norte e leste, enquanto áreas do sudoeste se aproximam do encerramento da colheita. Já em Mato Grosso do Sul, chuvas recentes limitaram o ritmo dos trabalhos em algumas localidades.
A expectativa de tempo firme tende a melhorar as condições para a entrada das máquinas no campo sul-mato-grossense e acelerar a retirada dos grãos.
Para as lavouras que já chegaram à maturação, a ausência de chuva também pode favorecer a secagem natural do milho. A redução gradual da umidade dos grãos amplia as janelas de colheita e pode diminuir a necessidade de secagem artificial depois da retirada do produto do campo.
O cenário muda, porém, nas áreas mais atrasadas. Lavouras que ainda estão na fase de enchimento de grãos podem sofrer com a combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade e déficit de água no solo.
Nessas condições, aumenta a perda de água pelas plantas e pode haver prejuízo na formação dos grãos, com possível redução do peso final e do potencial de produtividade.
A pecuária também exige atenção especial. A continuidade do período seco prejudica a recuperação das pastagens, reduz a disponibilidade de forragem e pode diminuir a qualidade nutricional do alimento disponível aos animais.
Com menos pasto, produtores podem precisar ampliar a suplementação alimentar e rever o número de animais mantidos em determinadas áreas durante o período de estiagem.
A previsão para os próximos sete dias aponta volumes de chuva baixos e isolados, concentrados principalmente no extremo sul de Mato Grosso do Sul. Na maior parte do Centro-Oeste, a tendência é de estabilidade atmosférica sob influência de uma massa de ar seco.
As temperaturas máximas devem variar entre 34°C e 38°C em grande parte da região. Em áreas do norte e centro-sul de Mato Grosso e do norte de Mato Grosso do Sul, os termômetros podem ultrapassar 40°C.
Outro ponto de atenção será a umidade relativa do ar. Os índices podem ficar abaixo de 20% no norte de Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e em áreas do noroeste, sudeste e norte de Mato Grosso, especialmente durante a tarde.
Além dos impactos sobre lavouras e pastagens, a combinação de calor intenso e ar muito seco aumenta o desconforto térmico e a demanda por água, exigindo atenção redobrada no manejo dos animais e das áreas agrícolas.