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TCU determina que Exército cancele registro de CACs mortos ou investigados

FolhaPress 15/05/2024 19:20

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O TCU (Tribunal de Contas da União) determinou nesta quarta-feira (15) que o Exército adote em 180 dias medidas para cancelar o registro de CACs (colecionadores, atiradores e caçadores) que tenham morrido, sejam alvos de mandados de prisão ou tenham sido condenados.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

As ordens foram decididas pelo plenário da corte de contas, em processo sob relatoria do ministro Antonio Anastasia, e tiveram como base uma auditoria do próprio tribunal sobre o controle de armas realizado pelo Exército de 2019 a 2022.

O relatório interno mostrou que 2.579 pessoas mortas estavam com registro ativo no Sigma, o sistema de registro de armas do Exército, mas sem as informações sobre o paradeiro das armas.

Os auditores do TCU ainda apontam outras "sérias fragilidades" em procedimentos do Exército para o controle de armas -em especial, na fase de comprovação de idoneidade de quem obteve ou renovou o registro de CAC.

De acordo com o relatório, 9.387 pessoas com mandados de prisão estavam com o registro ativo para possuir armas. Outros 19.479 tinham processos de execução penal em aberto.

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"Os mandados de prisão e as informações sobre execuções penais indicam, no mínimo, a existência de processo criminal em desfavor do solicitante do CR [certificado de registro] ou do administrado, [fato que] já serve como evidência de inidoneidade para fins de aplicação das normas de controle de armas de fogo", destacou o relatório do TCU.

Dentre as falhas do Exército identificadas pela auditoria, estão o status "ok" para 85.459 armas de 38.142 CACs com registro cancelado ou vencido -o que significa que pessoas que perderam o direito de ter o armamento permaneciam com o arsenal em mãos.

Um dos problemas para as falhas na fiscalização, segundo o TCU, está no aumento de registros de CACs no governo de Jair Bolsonaro (PL). O salto foi de 1 milhão de registros de armas em 2019 para 1,5 milhão em 2022.

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O voto de Anastasia, aprovado por unanimidade, recomenda ao Exército que, "considerando o aumento acentuado na quantidade de CACs [...], reavalie a priorização dada a esse tema na alocação de recursos, no sentido de mitigar a baixa execução financeira [da fiscalização]".

Além do recolhimento de armas de mortos e condenados, o TCU determinou uma série de medidas que devem ser adotadas pelo Exército em prazos que variam de 90 dias a 18 meses.

A corte mandou que o Exército conceda acesso à Polícia Federal aos sistemas de monitoramento de munições; que adote rotina de revisão dos direitos de acesso às armas concedidos; e aprimore os sistemas atuais para inserção de dados corretos e padronizados.

A procuradora-geral do Ministério Público junto ao TCU, Cristina Machado, afirmou no julgamento que as decisões tomadas pelo plenário podem ter "elevado impacto sobre o sistema de controle de armas".

"Noto que as propostas buscam atuar sobre as causas das irregularidades, em atendimento aos estritos limites das competências constitucionais do Controle Externo."

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Diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo afirmou que o ministro Antonio Anastasia não acolheu algumas recomendações da área técnica do tribunal, sendo "condescendente com o Exército em alguns pontos".

Carolina cita dois pontos: a decisão do TCU de não buscar responsabilização dos militares que descumpriram ordem da corte de 2017 para informatizar processos de fiscalização e a permissão para que o Exército descumpra os prazos estabelecidos caso apresente plano de trabalho.

A responsabilidade para concessão de registro e autorização para compra de armas pelos CACs, além de fiscalização do setor e de clubes de tiros, era do Exército. O governo Lula (PT), porém, decidiu entregar as funções à Polícia Federal -em acerto que deve se consolidar até o fim do ano.

A troca foi feita no âmbito de um redesenho da política armamentista após a transição entre os governos de Bolsonaro e de Lula. A gestão petista emitiu decretos e portarias reduzindo o número de armas que cada CAC pode possuir, além de limitar quais tipos de armamento seriam autorizados para comercialização.

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