Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 11h23m
Vitória News — Um jornal de verdade
Geral

TCU contraria área técnica e decide não investigar generais por falhas em fiscalização de armas

FolhaPress 09/10/2024 19:26

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O TCU (Tribunal de Contas da União) decidiu nesta quarta-feira (9) que não vai investigar a responsabilidade generais do Exército por falhas na fiscalização de produtos controlados, como armas e munições.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A decisão unânime do plenário diverge da posição adotada pela área técnica do tribunal. Em parecer, a auditoria sugeriu que o TCU realizasse audiência com cinco generais que chefiaram o Comando Logístico do Exército para investigar suposta responsabilização por descumprimento de acórdão da corte.

A área técnica pedia a audiência para que os generais apresentassem suas razões para o "não cumprimento integral das determinações de criar sistema informatizado para a gestão de todos os processos de trabalho relativos à fiscalização de produtos controlados pelo Exército".

O ministro relator do processo, Marcos Bemquerer Costa, foi contra a proposta. "Acolho a proposta supra, exceto quanto à apuração de responsabilidade em face 'do descumprimento' da determinação expedida em 2017", disse em seu voto.

SESC PICASSO

Bemquerer argumentou que o Exército apresentou um plano de ação para informatizar os processos relacionados à fiscalização de produtos controlados e que dificuldades foram encontradas nos últimos anos, como a falta de recursos para cumprir a decisão do TCU.

Ele ainda disse que muitos generais passaram pela chefia do Comando Logístico de 2017 para 2024, o que "dilui responsabilidades".

Naquela época, os registros de armas e munições de CACs (caçadores, atiradores e colecionadores) eram feitos em papel. Boa parte dos registros dessas fiscalizações continua sendo feita de forma manual, em processo descentralizado.

CONTADOR - BONUS

Os generais que estavam na mira da área técnica são Carlos Alberto Neiva Barcellos, Laerte de Souza Santos, Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, Eduardo Antonio Fernandes e Flávio Marcus Lancia Barbosa -atual comandante Logístico do Exército. Com a decisão do TCU, nenhum deles será ouvido.

Em auditoria realizada em 2023, o TCU identificou o descumprimento da medida anteriormente determinada e, em nova decisão de 2024, concedeu prazo de mais um ano para a implementação. O novo prazo passou a valer a partir de maio de 2024. A decisão desta quarta-feira (9) reforça esse prazo de um ano.

Foi por meio desse novo relatório, inclusive, que o Exército identificou que 5.200 condenados pela Justiça conseguiram obter, renovar ou manter o registro de CAC.

Na manifestação de 2024, o TCU destacou que o uso de processos administrativos eletrônicos já é amplamente difundido na administração pública. Um decreto de 2015 determinou que todos os órgãos e entidades da administração pública federal adotassem o meio eletrônico em um prazo de dois anos.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Além disso, em 2017, o TCU reforçou essa exigência para a Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados, que, quase seis anos após o prazo, ainda não cumpriu a determinação, sem apresentar justificativas adequadas.

Militares ouvidos pela Folha afirmaram, sob reserva, que a digitalização dos processos relacionados a produtos controlados tem demorado mais que o esperado. A estimativa feita pelo Exército, ainda em 2017, era de que somente a 2ª Região Militar, responsável por São Paulo, demoraria seis anos para digitalizar todos os papeis.

Na avaliação deles, a informatização de todo o sistema de fiscalização de produtos controlados não foi encerrada por dificuldades encontradas ao longo do processo. Esses militares, porém, dizem que o processo é lento, mas tem avançado.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas